quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

DISTANTE

Para a amiga-irmã Alice Veloso


Tem hora que o coração fica inquieto
Quando ausculta a alma mui resignada
Sai fora do compasso, enlouquece
Quer botar vento em suas asas.

Dois corpos desentendidos
Dança desritmada
Meu ser no meio: sôfrego
Ofegando o nó da garganta...
Solfejar d'uma gaita desafinada.

A gente olha em volta
E vai somando as desimportâncias...
E no outro prato da balança: eco
Vento do que se foi deixando pra longe.

O meio disso é uma coluna erguida
Espinha ereta embrutecida
Mantendo firme o movimento
Regulando as desmedidas.

De quantos ontens se faz um agora?
No rosto daquela boneca-humana amiga
Que te acompanhavas no tempo em que sonhavas
E te vibra densa e forte no ainda?

Que olhar é esse que quer acordar dentro de ti
O que tu há tempos botaste para adormecer?
Que semblante mastro imponente é este
Que alegoriza tuas bandeiras?

Ariana: força, luta, presença.
Doçura cúmplice
Simplicidade em magistral consciência.

Te quero testemunha
Da minha desgraça ou da minha opulência.

Te quero olhos-mãos me apoiando
Sorrindo e me falando besteira.

Te quero irmã pretinha que o tempo levou
Sambando daí na mesma cadência.

Te quero porque dura pouco o flamor
Deste crime chamado existência.


Juliana Ponciri, Brasília - DF, Brasil.