terça-feira, 26 de abril de 2011

Enfado

A Inquietude.
Eis a minha profissão.

Quantas vezes eu tentei ser pacata, cotidiana, rotineira, normal
Quantas vezes não tentei chamar de "disciplina" a mesmice, a banalidade, o tédio, tentando lhe arrancar alguma beleza?

Eu gosto do cuidado: de cuidar e ser cuidada.
Sou mística, portanto, ritualística.
Se as coisas circulam mecânicas sem sentido,
(Um relógio tem mais sentido que muitas pessoas
Pois ele, ainda que por ilusão condicionada nossa,
ele acompanha o movimento dos astros)...

Ouvi alguém certa vez alguém comentar que vivo de ilusão...
¡Haa José! ¿O que as pessoas entedem por realidade?
Elas compram para si mesmas as "imagens" que vendem
E assinalam o final do dia cismado com um pseudo-suspiro de missão cumprida!
¿Que p...de missão é esta? A de andar em círculos viciosos como cachorro atrás do próprio rabo?
Não meu amigo! Não há movimento! Tu te cansaste sem sair do lugar mi neno!
Compaixão de ti meu gentil e pobre cego... não vês que nadas sem braços...
Te afundas da ilusão chamada espetáculo que bebes,
Te pesas do éter que não vaza no suor diário
Cuida para não virar metal doçura! Ou pior, enferrujar!
Desvicia-te desta dose diária de publicidade desnecessária...

Arrrgh!.. ¿Em que tempos vivemos Dios?
Por vezes me deparo e, me assusto obviamente, que causo o estranho
Simplesmente por agir naturalmente...
¿O que de errado e exótico há em minhas trivialidades?
¿Que mal, sacrilégio, blasfêmia cometo eu em ser HUMANA? DEMASIADO HUMANA?
¿Que medo, ansiedade ou carência as pessoas têm tido em serem autênticas?
¿Então isso é que é normal?
¿Tenho que representar 24hs por dia uma peça que sequer escrevi?
Não! Eu não sou massa que engrossa o caldo das vertigens alheias!
Olho no profundo de cada olho que me acusa e digo de coração livre que possuo:
_Liberta-me das TUAS prisões!
Se ouço os "causos" dos ansiãos quando a regra é ignorá-los, liberta-me!
Se brinco com as crianças quando a regra é repreendê-las, liberta-me!
Se aprendo dos bebês e dos animais, quando a regra é o quadro, a "escola", o diplomado, liberta-me!
Oras bolas azuis! Permita-me o fluxo! Deixai fluir meu ar!
Fogo de raiva vermelha quando me rotulam sem nem me cheirar!
Deixai-me ser LIVRE! ¿Ouviram? LIVRE!
Livre do salto quando eu quiser sentir o chão!
Livre do sutiã quando eu quiser respirar profundo!
Livre dos óculos escuros quando eu quiser te olhar no olhos!... L-I-V-R-E!!!
Não me prendais à convenções! Elas não me convencem!

A culpa não é das profissões! Independe qual seja!
O trabalho edifica, enobresse, devolve os pés ao chão!
O problema é a pseudo lei, é o podre, engomado e refinado protocolo!
O padrão da nulidade!
A pseudo-igualdade onde não há valorização, sequer respeito à identidade!
_Baby, aqui você não pensa, não respira, não protesta!
Aqui você cumpre as vaidades da regra!
A luxuosa perua precisa desfilar seu perfume doce e seu ouro!
Shut up honey! Vem aqui queridinha, vou lhe servir um cafezinho!
De preferência bem docinho! Como a gente faz com as crianças!
Senta posadamente aqui que eu vou te adestrando devagarzinho
só enquanto eu puxo o teu tapete, tá lindaaaa?!
Mantenha os olhos na direção do cafezinho que-ri-da!
E responda apenas "sim" ou "não".
Neste joguinho aqui "a-mi-ga" a bola não volta não tá?!
Fica sentandinha e se comporta direitinho que vou ali e já volto com teu certificado de asinina todo decorado com embleminhas, detalhezinhos e bordinhas brilhantezinhos como a tua maquiagenzinha!
Os diminutivos bonequinha, desculpa a reincidência, é que é para combinar com o teu cerebrozinho fofa!
Olha, escolhe: tenho nas cores cor-de-rosa, roxinho, lilás...
Aqui a gente te pinta do que você quiser!

(...)

Quantas pseudo-vidas!..

Não mais palavras.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Des-Dia

"Hoy és un dia normal,
pero yo voy hacerlo intenso!" (Juanes)


Hoje amanheci gostando mais de mim.
Resolvi reformar o quarto e a atitude
Juntei tudo que não útil
Vou passar para frente para que outros dêem
movimento e vida ao que para mim já é obsoleto
Há que se cuidar em deslocar a vida
Senão ela fica mau acostumada
Correndo o risco de ser fútil e cotidiana...

Troquei as coisas e as cores de lugar:
Re-alugar o espaço pra mente ser mais!
Perfumei o ambiente só para ousar
Cuidei da pele e do cabelo para auto-desfilar
Ouvi música alta e cantei feliz sem desafinar!
Cozinhei uma comida especial para meu ego
E me acompanhei em um vinho do sul brasileiro
No intuito de me tornar mais interessante a mim! (rs)

Passei minutos a fio em um banho todo meu
O sabonete me disse a fazer-me carinho que sou especial
A água que escorria tíbia e vadia por meu corpo seu
Dizia lambendo com sua língua grande de alcançar a alma
o quanto somos parecidas: líquidas, disformes, puras, flúidas...
E um suspiro de relaxar saído de mim
me disse que a paz é algo de que o espírito
se alimenta para gozar...
E senti que o universo fazia amor comigo!

Voltei, e minha cama nova me recebeu de braços e lençóis abertos,
E como pluma que descansa de seu passeio-entardecer na brisa
Aterrizei suave meu ser no planalto macio do meu sossêgo
Onde do lado me esperava Heidegger, para debatermos o dia...
E transcendermos a noite...

Simples sintonia do existir...
Quem precisa de mais?

sábado, 23 de abril de 2011

Fica

"Quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu." (Renato Russo)

E de repente a poesia chega em sua vida:
Os olhos molham,
A boca séca,
Os lábios calam,
As palavras cessam...

A poesia traz este silêncio necessário à plenitude do espírito:
Ela quem sustenta o vôo de sua dança
O verbo para toda carne...

Me vou quando ficas em mim: só em mim!
No teu foco, volto ao meu centro
Equilíbrio de sensações e de pensamento!

Óhhh sinta-me assim!
Carimbo de existência neste mundo grande-ínfimo
Passaporte de acesso ao paraíso!

Digni-ficas me!
Meu atalho para Deus, o Deus homem
Humanamente belo, suave, sublimação expandida!

Óhhh ficai em mim pois!
Deixai cair sobre meus sonhos cansados teu repouso!
Fica com teu mundo-olhos dentro dos meus!

Fica!
Deixai assim aberta a porta deste tempo infinito vivendo
Põe teu pulsar dentro do meu!

Acoplai teu avesso na pele-póro de meus dias
Põe teu azul-sismando no meu cinza-esperança
Construamos novo matiz!

Abra a boca desta tua mente que me acessas docemente
Pintando com flash's de estrela minhas sinapses(e meus sinais)
E grita para dentro de mim o eco subversivo do que não entendes!
E desentendido, nos entendamos pois!

Rosna o brado nobre de teus mistérios para dentro deste meu corpo-mundo!

Óhh sim! Eu te recebo, meu querido buscador de respostas sem perguntas
Te abro meus braços, mente e espírito
Pro acesso de tua identidade:
Abraço de graça, Deus te nos bendiga!

Vem, recosta aqui neste peito e descansas-me-te.
Conta-me com teu silêncio, as tuas andanças,
Anseio de alma escrever em desenho tuas linhas!

Põe tua história no meu tempo!
Despeja teu passo no meu desmerecimento
(Por sois mais e eu menos)

Vem morar no meu óbvio:
Cerrado aberto retorcido de amanhã
Passado marcado de futuro
Presente e-vidente de olhos castanho-terra místicos...
Lindos!

Aqueles que sentem a natureza do quadro antes da informação
Aqueles que sabem da razão das texturas antes da moldura
Aqueles inter-li-gentes de tela transitando parede-alma
Conto sem contos em fadas verdejantes e transcendentes!
Olhos castanhos-querentes!

Óhh fica!
Preciso tanto de ti, meu gentil portal da eternidade.

Sei que me olhas quando eu te olho
Sei da verdade que construímos juntos nestes momentos
Verdade esta que o mundo tanto precisa!

Eu te olho porque sois íntegro, digno, correto
Te olho porque em ti ouço os acordes da justiça
Música qu'esta orquestra-humanidade que vive em mim
toca até à fadiga e relutante exaustão!

Te olho porque tu aprendes dos gatos a cheirar cada detalhe da vida
Não deixando as coisas mais grandiosas, porque pequenas, escaparem!

Óhh sim eu te olho, olhos falantes!
Te olho porque sei que tu me salvas
Te olho porque filtras minha natureza de todo o mal
Te olho com os olhos sedentos de minha pele, do meu respirar, da minha latência
Te olho porque tornas-me viva, presente, chama!

Me chamas... escuto quente o fogo do teu ser
Incandescendo minha matéria bruta e tornando-a leve, fluída, gasosa, plumante, dançante, voante, variante, instante!

Sou TODA no pouco do muito que me dás
Tens pleni-ficado me!

E é neste serEstado de paz
Na serenidade deste porto-caz
Que minha liberdade quer morar
Em todos os dias desta vida desprovida de porquês
Pra viajar na aventura-resposta-beleza exuberante e extasiante desta energia-sonho que emana do nosso encontro...

Ahhh religa-me vida que pousaste linda em minha vida!
Religa-me pra todo o sempre.
PleniFICA-te-me de nós!
Prenda-me pra sempre em teus braços!
Fica.

Ju Ponciri, 23/04/2011, às 19:54.

domingo, 17 de abril de 2011

Aliança

"O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; Ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido para prestar atenção como discípulo." (Isaías 50, 4)

Não afastei Vossos Olhos Amorosos de mim Paizinho
Guarda no Teu Regaço Misericordioso minha vida
Faz-lo por Tua Imensa Bondade, pois sei que não mereço.

Eu, que igualmente LIVRE como TU
Por vezes escolhi viver longe da Tua Palavra
Mas Tu não me jogaste fora
Tu hein? Sempre vendo utilidade nas coisas!
Agora deu de me reciclares...

Faze-Te em mim pois
Tenho alma e todo o ser abertos em primavera
Traz-me Teus perfumes óh saborosa brisa!
Eis a vida a qual criaste, portanto Tua
Tua patente se encerra a cada respirar meu!

Sei que minha boca nunca Te negou
Mas quantas vezes meus atos não se contradisseram com este meu-teu coração?
Este coração que sempre guardaste puro, livre de toda maldade
Este coração radical, fiel e fervoroso por justiça
Este coração sereno, calmo, aprazível por paz
Este coração amoroso, tolo, criança
que insiste em acreditar no bem acima de qualquer mal
Este coração que proclama a soberania do Teu Nome a cada pulso
Este coração que ordena uma vida de entrega, de amor e de exortação...

Espalha este meu-teu coração no mundo óh Paizinho!
Espalha principalmente em cada recôncavo de minha vida
Transmutai-me em coração!
Que minha vida bombeie Teu sangue, que é nosso eterno RELIGARE!

Faze-te-me Nova! E disforme!
Sopra-me! Sopra-me! Sopra-me!
Que eu, duplo AR, transite como o vento do Teu Espírito
Nada o pode prender!

Faz-me-te dançante, mágica, livre
Que eu possa em baile de vida plena inaugurada
Cumprimentar num beijo a paz estrelas
E descer e rodopiar valsando doce e alegremente os mistérios do mar

Que do leste ao oeste, do norte ao sul, de cima para baixo e em todas as direções
Sobretudo a de dentro, que é para onde aponta o sol do infinito,
Se ouça a música de louvor a Ti que emana deste meu cismar no universo

Faz-me PLENA da Tua graça Paizinho! É o que Te peço
Que minha vida confirme a Tua, sacramentalmente BELA!
Que meu abrir e fechar de olhos reverbere a minha-Tua Aliança.

Amém.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ser Tua (meu salmo)

Vigia minha boca Senhor
Sede como sentinela à porta do Palácio.

Meu corpo é Teu reino
E meu ser, templo onde Te vivificas.

Meu pulso proclama a cada batimento Tua grandeza.

Meu sangue diz, correndo e dançando dentro das veias
o quanto És soberano.

Meu cérebro e todos os meus sentidos despertos
assinalam e reconhecem o Teu imenso poder óh Meu ressuscitado!

Tu, suprema vida vivendo em mim
Meu semelhante, habitante desta imagem-argila
coisa que nunca termina
que nunca adquire forma definida
Molda-te-me sempre, óh Presença Artista.

E, ainda que os percalços da vida me imobilize e me seque
Que o Teu Fogo me queime
Que eu ouça o ranger do concreto acordando
Insuflado pela vida quente que emana de Ti

Tu, meu Fogo-Vivo
Meu Pai, meu Filho, meu Espírito
Minha família, meu Três, meu lar
Abrigo que cuido e que me cuidas
pra onde posso sempre voltar

Dinâmica casa que evolui sem cessar
Onde não há mapas, plantas e arquiteturas rígidas
Flexibilidade que se expande gasosa

Sejai meu oxigênio, meu Ar
Quando eu, Tua centelha ínfima, minguar

Fazei-me nova, cheia, crescente

Esposa-me, meu Sol
Sem a Tua luz sequer existo

Sou teu reflexo, lembra?
Aqui por Teu calor viemos habitar

Somos constelação Tua
Por Ti e em Ti, eu e meus irmãos nos pomos sempre em rotação
E mais, em translação

Dignifica-nos pois, confere-nos identidade!
Nosso Infinito, Trindade Astral.

Para ti e por Ti brilhamos
Os homens usam confete, gliter, purpirina no carnaval
Mas Tu, óh Alegria primordial, És nossa eterna festa

De ti brotam nossas mais sinceros sorrisos
Nós, estrelinhas irrisórias
Notas sem canção

Só Tu pode conferir-nos sentido
e à toda criação.

És meu criador:
Sou tua, és meu
De Ti venho, em Ti vivo, para Ti voltarei
No Dia do Infinito
Onde mortal não mais serei.

Te louvo em Verdade.
Em ti, que estás/és em mim


Repousa suave (e radical) em Ti
a minha fidelidade.

sábado, 9 de abril de 2011

Falta

Acho que estou sofrendo do mal de amor
Os sintomas todos denunciam:
A ansiedade, a saudade, a necessidade...

Como um fiel que recorre a uma imagem
Pela lembrança ou pela paz que ela dá
Eu recorro às tuas fotos
Percorro e me detenho a todos os teus detalhes
Estão tatuados em minha memória
Ainda que eu feche os olhos
Sei mensurar com exatidão as medidas
todas as dimensões, volumes, texturas,
a variação no matiz
Quase sei precisar o número de fios dos teus cabelos
sejam eles os brancos ou os castanhos
Sei onde começam e onde terminam teus cílios
tua sobrancelha, as linhas do teu rosto
desde as que formam as formas e a expressão
às que formam a idade
Acho deveras linda tua idade
Há um charme, uma poesia, uma rítmica tão sua
E uma aura que diz: "Olha como sou especial!.."

Sei exatamente onde começa e onde termina a barba
Sim! Esta que me deixa vermelhinha pelo excesso de carinho ^^
A qual meus poros agarram firme suas duas mãos-criança
como se cada fio fosse a corda que não deixa meu ser cair no abismo
E eu te agarro e te aperto e te preciso com esta constância
E com a necessidade, a força, a garra, a vontade de quem agarra um sonho
E eu te abraço porque em ti me encontro
Tu, o caz de minhas canções
Onde meu corpo e meu espírito aporta todas suas vidas:
As que vivi, as que vivo e as que viverei...

Sinfonia mansa de anjos e maré calma
A noite contigo, um ninar de nuvens
Sinto-me filha das possibilidades
Embalada na vida que brota de ti
Cochilo de tanta paz, sossegagem gostosa
É quando tudo basta, completude
E me sinto plena, digna e feliz.

Olhando tua foto eu posso sentir teu cheiro
E juro por Deus que tu estás gravado na memória de meus nervos
Meus dedos chegam a ensaiar tocar os teus cabelos
Eles amam deslizar no parque de tuas sensações
Como criança extasiada no escorregador...
Vai explicar pra ela que aquilo não tem graça?
Mora dentro do reflexo-adrenalina-nervo-sangue-músculo-coração
o valor e o significado de cada atitude vã, vaga
E só nosso corpo-ser-integrado sabe o prazer disso
E da diferença que isso dá no nosso Dasein, no nosso ser-no-mundo
Uma loucura de gestos e ânima que não sabemos explicar
Ainda que desordeiramente tentemos
Pêndulo, balanço no qual a gente se diverte (e sofre) mas não sái do lugar...

E de tua temperatura eu queria só 10%
Porque ainda que eu tirasse um pedacinho de ti
Eu não ousaria não te amar INTEIRO.

No fundo eu sei que me completas
Mas meu orgulho não me deixa me admitir metade
Então reluto contra mim mesma
Esta que te busca na calada da noite quando durmo
Subversiva ela chama teu nome
Tu que é três
Ela bulbucia cada sílaba de cada um pausadamente
E te invoca como quem invoca um ritual
Eu não dou por mim estas coisas
Pois sou deveras racional
Mas eu sei que ela, esta parte, pulsa no mesmo pulso que pulsa em ti
E ela se desmembra e vai ao teu encontro
Por isso me quedo vazia, e chego a ensaiar uma solidão...

Murmúrios de mim te chamam sem cessar...
Volta pro meu seio e divaga em mim pra sempre?!
Eu só quero minha cabeça recostada no teu peito
e o anti-verso
Só quero escutar a sinfonia que orquestra teu maestro coração
Meus ouvidos (e sentidos) ficaram viciados nela
Só quero tua mão na minha enquanto miramos as estrelas
E teu riso no meu
E teu olho me desvendando e me inaugurando e me lambendo com um gato a si mesmo
Quero teu olho dentro de mim
Quero-te vasculhando meus labirintos e
despertando luz em cada ricón escuro
Quero que sejas a água que passa e lava toda poeira velha
estas que ficam instaladas debaixo do tapete de nossas dores
história de luta, sangue e sonhos
Quero que te sejas em mim
E te sentir de tamanha forma teu
que quando eu menos esperasse, no de repente da vida
Estarmos um seria apenas consequência.
Te quero seu, cada dia mais...
para seres em mim,
em nós,
em nós e laços e novelos
Entidades que despertam, abrem a janela
e inauguram a dimensão da eternidade...
Welcome to your new life,
Welcome to OUR LIFE.

I'm waiting for you.

Ass: Tua bebezinha.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Vaguidões

Tempo que não disfruto da noite crua de suas luzes laranjazuis...
A luz amarela segue salgando a intermitência
Assim: mórbida, fosca, morta.

De tanta artificialidade ando perdendo minha incandescência
Talvez seja eu só reflexo sem nexo convexo verso deste distúrbio volátil dos dias...

Insone, vou por entre vagões e vaguidões de não-eu...
E sóis nuvens, da mesma solidão-mim, o velho matiz cinza...
Típica moléstia agonia comum que retumba a insuficiência do mundo vazio de si...
Bem lá onde não consigo sagrar minha primavera...
Cada dia me tenho mais gris
Desertidões de óbito são emitidas nos carimbos-passos sonoplásticos que compõem esta sinfonia rasa que embrulha-me os sentidos...

Vomitar um verso novo sobre ela!
Regurgitar vida nova para dentro de mim!
Ex-tra-vasar o verbo!!!
Derramar-me para dentro da possibilidade!

Olho a janela
No próximo minuto serei REBELDE!
Estou RESOLUTA.

Vou fazer meu tempo.
Sim! Torná-lo próprio!

Vou me permitir o tempo da maturidade:
Dos anciãos que caminham carregando
Sobre os ombros e as almas
A clarividência dos anos...

Vou me permitir o tempo dos enamorados:
Que por um carinho, um olhar ou mesmo qualquer gesto frívolo
Subvertem as leis ditadoras da pseudo-verdade dos ponteiros
Criando, melhor, religando-se à sua realidade primeira
Tão cheia de tanta identidade!

Ah... ¿Que delicadezas de gestos seriam tão fortes a ponto de aguentar meu peso?

Caminho por entre a gente
E cada passo meu carrega os silêncios obrigados a calar.
Qualquer carinho de brisa me valeria...
Ainda que forçada por um rastro de trem, de ônibus, de pessoa
Transeuntes compulsoriamente apressados e cegos para ver se se alcançam
Sem notar, que quanto mais correm, mais a vida se distancia...
Porque ela que tem seu ritmo contrário a qualquer lógica
Inclusive à sua mesma...
Quando a gente acha que já aprendeu o rosário
Ela nos remete a novos mistérios...
Tão própria de si, tão alheia a qualquer sistema que não seja a transcendência
É de sua natureza ir além:
Extra-vasar!

Engulo um pouco de ar-pressa pra ver se me salvo...
Ops! É chegada a estação!
Quero um gole de agora
Vou beijar a primeira criança que cruzar meu caminho!

Religa-me vida! Religa-me..!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Três

Ok, este não é um blog somente de poesia e poemas.
Mas sobretudo um blog de reflexões.
Portanto, a regra aqui é não ter regra.
Mentira! A regra aqui é a VERDADE.
Há que se ser RADICALMENTE FIEL à sua natureza,
ao seu presente (nos 3 sentidos: tempo, postura e dádiva).
E a verdade é que não tenho verdade, mas sim verdadeS
misturadas, cambiantes, dinâmicas, acategóricas, verdades sensíveis.
Pessoa diria: "Não tenho filosofia, tenho sentidos."

Falando nele, uma vez perguntaram-me se Deus não tivesse este nome, qual seria?
Eu respondi mui tranquila, direta e claramente: "Fernando Pessoa."
A criatura quase infartou. E seguiu:
"Nossa! Eu achei que tu falarias Buda, Gandhi, ou qualquer outro semelhante a líder religioso. Mas por quê Pessoa?
E segui: "Simples. Quem tu já conheceste que congregasse 3 heterónimos perfeitamente diferentes e tão complementares em uma personalidade una? Onde mais 3 pessoas se requer assim mutuamente e se impulsiona reciprocamente? Que eu saiba, além da chamada "Trindade Santa" também conhecida por "Deus", somente o ortónimo "Fernando Pessoa."
E recomendei gentilmente que ela lesse o filósofo Santo Agostinho.
Blasfêmia? Heresia? Queima-me pois na fogueira! (do Espírito Santo) =P

Mas a reflexão nem era sobre Fernando Pessoa... Xiii...Esqueci!!!(???) Whatever...

Enfim, mas já que estamos na questão trinitária, sigamos.

O número 3 sempre me instigou.
A começar pela numerologia, a soma de todas as letras do meu nome de batismo dá 3.

O 3 está em tudo, ele é o alfa e o gama, o gênesis e o apocalipse (que é re-começo).
Lá nos primeiros versículos do capítulo 18 (múltiplo de 3 rs) já temos:

"O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhos de Mamrê, quando Abraão estava sentado à entrada da tenda em pleno calor do dia. Ele ergueu os olhos e percebeu TRÊS HOMENS de pé junto dele." Abraão viu o Deus 3!!!

O nosso culturalmente famoso 666 é uma sequência de 3 números!

Pobre 666! Dizem que é porque forma a dízima periódica 6,66(homem) e perfeito só o 7(Deus)... Mas do 7 eu nem tenho tesão em falar posto que ele já é unanimidade... (E descordando de Nelson Rodrigues, esta daqui não é burra!)

(eita! reticências são 3 pontinhos! rs) Adooooro!!! Representa aquilo que segue para o infinito...

Não dizem que duas linhas retas se encontram no infinito? Olhando daqui pra lá o desenho é um triângulo, ou seja: 3 individuais linhas formando uma coisa só! ^^

No terceiro dia eu vou me encontrar no infinito...rs
Pois se a terra veio da água ao terceiro dia(gênesis cap.1), e a carne do espírito ao terceiro dia(ressurreição), prova que esta minha liquidade de ser está no caminho certo rumo ao terceiro dia da concretude...
E nosso dia é 24hs, ou seja: 2+4= 6 que é múltiplo de??? kkkkkkkkkkk

Como diria Luciano Huck: "Loucura! Loucura! Loucura" (3x)

"Que minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é Amor, e, a outra também."
E se Deus é Amor, e é TRES, (3 letras tres, amor) tudo começa e se encerra n'Ele.

Amém.

domingo, 3 de abril de 2011

Surpresa

Surpresa encontrar o diferente irmanado
Seres que carregam o espírito aberto em pavão
Colorindo e abraçando a humanidade anestesiada
Humanizando o maquinal, o frívolo, o fútil

Surpresa ouvir tua voz tenra, doce, pausada
Recostar meu cansaço na rede acolhedora de teu timbre
Seguro, preciso, macio

Surpresa senti minha pele cantando o cântico dos sereias
Melodia que enfeitiça levando-me a meditar
Surpresa notar meus poros dançando em harmonia o balé em alga da tua energia
Suave e elegante valsa no derramar do teu abraço em mim

Surpresa saber do teu toque em meu ser convertido em dedos
De toda tato que sou nossas mãos se dão rumo ao infinito
De tuas mãos... que dizer delas?
Tuas mãos me levam a tocar as estrelas
Que importa se elas não tocam violão?
E teus olhos? São um dilúvio de ternura
Que importa os dias que hei de passar na seca?

Surpresa teu sorriso despertando o sol em pleno coração da noite
Fazendo luzir tua alma-lençol expandida no universo de meus dias cinzas
Surpresa teu pensar tão puro e direto e perfumado
Simplificando o meu caos e dando-lhe objetividade

Surpresa saber-te homem, digno, ético
Surpresa saber-te compreensivo, solidário e de riso fácil
Surpresa saber-te entregue, romântico, menino
Surpresa nossas histórias, medos e sonhos assim confundidos...

Surpresa é ainda surpreender-me ante ao meu comunal nadismo.

Hoje é primeiro de abril, dia da mentira
Estaria o destino pregando-me um peça?
Não me acorde com a cifra desta verdade
Permita minha música extravasar esta nulidade.

Amém.