domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sonho de um Resgate

Quanto tempo mais hei de seguir vacilante assim até a próxima vertigem?
Quanto me dura o tempo da sobriedade?
E quanto dura o tempo não-tempo de estar VERDADEIRAMENTE desperta?

Sigo nesta constante apatia...
Aquele estado de anestesia a que todos os presos entram para suportar a realidade de seu pequeno quadrado...
Mas como dizer para este espírito de atitude tão ativo e esmeroso da razão desta catalepsia?
Até quando poderei suportar a este estado-passividade a que o destino me submete?
Joguete de suas mãos ágeis e estratégicas, a rainha vira mero peão...

Tudo quanto busco é um rei para que eu defenda com garras, sonhos e sangue
Para que cada movimento e passo que eu dê nesta torpe vida tenha razão de ser
- ência sem nexo quiquando em círculos viciosos -
Tenho meus objetivos bifurcados: estrabismo vanguardista!
Nada nunca vem, e, quando vem, vem assim confuso, vago e meio alheio
Distante de dentro de fora de mim...
Concha oca da solidão ainda ecoando mil mares sonhados...
Vento que uiva em meus secos ossos neste vale deserto
Vale de fome, de sede, de ansiedade do que nunca vem...

Às vezes crio, consciente, estas miragens
Que de repente vem chegando qualquer luz pura para me resgatar
Qualquer anjo vertendo dor em riso interno
Qualquer amor que me abrace e insufle vida em meus ossos...

Mas a verdade é que me tenho esgotada
Não tenho mais forças
Nem sequer para ir a te buscar meu anjo
Para clamar bradando em alto tom que venhas

E esta minha fase depois do cansaço usurpou de mim a voz
E sinto que se me escapa também o pulso cardíaco

Tenho minhas mãos são frias e pés frios de futuro
Cheguei ao décimo segundo dia de minha desgraça,
A partir daqui nada mais passa.

Só me resta mirar em loucura sem ao menos piscar
A criação da tua imagem que nasce do mais verdadeiro de mim
Tu: visão magnífica oriunda das profundezas do sétimo sonho
Tu: supremamente Belo
Olhar de paisagem plácida de por-do-sol
Serenizas-me.
Imagem que integra, re-integra e congrega toda a infinitude desta constância
Meu religare.
Por isso ouso chamar-te infinito
Porque desde o nome até o caráter, és grande, és nobre.

Tu, sétimo signo, filho das adoradas e adoradoras Vênus e Pallas
Supremacia de mim: amor e sabedoria.
Quero nesta tua sétima casa, lar de onde nasceste e que cuidas com exímia diplomacia,
morar até o fim de meus dias dados...
Concede-me este porto?
Desgruda-me desta lama em que nado nado e em nadas caio?
Lava-me com o líquido do teu amor, preu nascer de novo?
Vem logo! Não tardes, já é noite, te espero há sete séculos
Amanheça este sol que a vida me apagou
Faz-me nova, leve, pura, brilhante...
Faz-me TUA, simples, constante.

Juliana Ponciri, 24 de fevereiro de 2011.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Espejismo

Y quien son estos que dicen que el amor no se equivoca?
Que pinche fantasma és este a quien busco y que me ciega?
Me vuelvo loca como un perro corriendo tras su rabo
Círculo vicioso que va marchando hipnotizado por tu mirada...

Cerrada en mi locura, sigo en espiritu buscando el infinito
No sé si llegaré a mi verdad, mi encuentro, o mi abismo
Sigo a ti y esta mirada que tiembla como una enseña en mi camino
Borracha por creer, en lo único que aún me hace respirar...

Como decir a mi desierto que tu nada más eres que un espejismo?
como decir a mi sed que tu no eres mi oasis con cascadas?
Como decir a mis venas que tu no eres la sangre que la nutre?
Como decir a mi aire que tu no eres su oxígeno?

Agotada, miro tu fotografía como un niño que mira por primera vez el mar
- Y zambullome en esto horizonte de posibilidad -
Traspasando mil dimensiones cerradas
Llego donde nadie ha llegado antes: al lugar ningún, nauseada por tanto sueñar...

Y co-fundida con mi-tu voz perdida en esto huracán
Convertida en un ressonar de mil ecos ancestros
Voy girando en este labirinto sin salida
Mientras les oigo hablar por mi poros, oidos, ojos
Monstruos que no puedo controlar
sonando esta musica fria, vacía, de soledad, de locura, de vértigo.

Yo no he elegido esto, no! por Dios!
I just wanna escape to myself.
where am i?
Shut up!!! I need hear my silence...
Please, just take my hand and stay here... sofly... slowly...
And put down words in my spirit with your soul singing me...
Just let it be! 
Breath us until the sun rises us!!!

(...)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Start Over

E eis porque minha vida é um blog aberto que venho novamente cá desabafar...

É preciso ter muita coragem para escrever neste estado domingo
Não sabe? Uai... é este estado depressivo, ocioso, vacilante.
Vai dizer que nunca teve um destes?! Todo mundo já teve! Não minta para si... que feio!

Final de tarde. O tempo está cinza. Fechado. Existe um silêncio mórbido escravado (Ah sim computador! Desta vez você está certo! É encravado mesmo! Pois creio que o barulho é que é escravo dele e não o contrário! Pobre música dos dias... feita do vômito desta mesmice!). Ok. Voltemos. (...) Existe um silêncio engasgado nas minúsculas e quase imperceptíveis pausas que acompanham este furdunço desvairado dos sons vizinhos.

Eu desastrava em dúvidas pós-almoço deitada sobre minha cama quando no ápice destas inconstâncias e desistências, o vento como um menino teimoso e birrento que tenta que comunicar destruiu mais um espelho meu! Creckt! E lá se vai mais um. Em vinte e nove anos, um histórico de uns 20 espelhos quebrados... ou mais! Acho que nenhum ser humano sobre a face (ou o inferno) da Terra quebrou mais espelhos que eu. Não posso crer ser apenas coincidência.

O vento... Há tempos que tento ouvir sua voz meu caro, mas sou surda destas coisas. Até aqui eu pensei que estava no caminho da evolução... mas não sei porquê te exaltas tanto! Foi um tapa na minha cara? À la wake up?! Foi? Ou foi um finalmente-de-aleluia como o dos fogos de artifício? Caramba! Porque entendo idiomas outros e não a tua língua? Não me deixa assim impotente! Pleeeease! O que você disse? (...) Sabe aqueles dias de tenra calma em pores-do-sol quando tu calmo, carinhoso e dengoso me acaricias a face? Ali eu entendo o que queres dizer... como entendo! Te chamam brisa quando vestido assim sabia?! Ficas mui elegante viu?! Mas assim adolescente rebelde eu não consigo meu querido e doce ar... Diz pra mim o que de mim esperas, te peço em respiração: assim te recorro, assim te chamo em pulmão pelo nome... (quase meditando)
Eeeeeeeeeeeeeca! Que isso?! Argh! Pelo ar de todos os séculos! Que cheiro é esse? Que horror! Que asco! Que... xxxxx

Vomitei. Inevitável isso. Meus vizinhos e seus churrascos!
O olor fétido da carne de algum bicho sendo tostada... pele queimada, meu Deus! Como pode?
Tá. Mas quem sou eu para julgá-los?
Quem garante que nas minhas inconsciências eu não faço o mesmo?
Seguramente faço comigo mesma: torro a pele sadia de meus dias nestes meus abismares...
E me afundo...

E se por um lado isso tudo me causa náuseas
E dá vertigem de tanto nojo enfraquece o corpo através do estômago (e do espírito)
Tanto maior é a dor deste pensar!
Minha cabeça oscilante, este tornado de sensações e reflexões
Vai girando insandecidamente sabe Deus pra onde!
Em direção de mil tempos! Louco ir e vir!
Erupção de mil mins em flash’s, choques e trovões de gerações e ancestralidades!
Não sei até onde posso suportar as afetações deste redemoinho de não-tempo!

Aos filósofos devia ser vigiada a ação do pensamento
Como disse Shakespeare sobre a loucura dos grandes
Sim! Nossa realidade deve ser vigiada!
E, quando assim mais aguda, sedada por qualquer ilusão
Ahhh o arco-íris da ilusão! Mágico véu de Maia... Tão lindo!
Tão confortante, aconchegante, ninante...
Sair hoje? Dançar? Ri? Mas de que e por quê mesmo?
Não! O torpor mais alcoólico que posso ter é este
Que há de mais ácido para o estômago, o fígado e o ser que não a realidade?
Uma dose mais por favor! Quero testar minha resistabilidade!
(É isso mesmo! Tudo em mim é consciente: não é resistência... é resistabilidade! Será que esta duplamente aquário é tão estável quanto dizem os astros?! (riso sarcástico)... piada! Ops! Parêntese dentro do parêntese? Que funil é este e para que dimensão estou indo?! Isso não é mais fluxo de pensamento, é distúrbio, disfunção, novIdade deste tempo-espaço!)

Se o destino quer brincar comigo, ele escolheu a pessoa errada!
Sou osso-duro-de-roer! Pode me mastigar assim seu cão raivoso!
Você não vai conseguir chegar à minha essência! (se é que eu tenho uma! rs...)
Venha com teus dentes vorazes, que eu estou aberta para que me feches.
Em veias, espírito e alma cá estou:
Que me feches em qualquer linha do tempo e me dê significados. São estes que preciso, não predicados!

I’m ready to turn me free. Just… comes.

Juliana Ponciri, 13-02-2011.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sonho-Semente

Ainda distante do sol o sonho renasce...
Tímido, calmo, tranquilo
Sereno e vivo como uma paisagem depois da chuva
Sonho molhado, cantante, apaziguante...

Este sonho-sorriso é uma coceguinha do espírito
Como o riso simples das crianças a descobrirem-se vivas
Puro, meigo, terno...
De um tipo de ternura tão peculiar!
Aquelas que te assaltam das coisas mais inusitadas
Ocorre principalmente quando a gente tá distraído...

Sonho-amanhecer, mágico!
Diluído em matizes mil: prisma de sensações.
É gozo simples de alma pulsante
É abraço-aconchego de vento-brisa constante
Música que nos levita
E causa riso fácil e bobo... fascina.

Sonho-surpresa, vem se acostanho mansinho
Brincadeira qualquer de um destino sapeca...
Et voilá! Eis que a profundidade-céu de um olhar o enfeitiça
Hipnotizantemente você adentra o mundo de dentro seu
assim tão fora, exposto em outro
Imediata identificação, imediata necessidade, imediata causa
Avessado então você vai ao encontro de sua completude convexa
Tão complexa sintonia harmonizando corpos, espíritos e mentes!

Sonho-fome de toda noite
Quer se infartar de comer a agonia para digeri-la vida
A ponto de arrotar felicidade!
Despertar de primárias vontades
Desejos intensos, vorazes, profundos
Mas... ridicularmente simples.

Sonho-medo ao perceber-se sonhadofazendo
Duvida de tão pleno
Como Pedro ao notar-se caminhado sobre as águas
E oscila, reluta, vacila... fragiliza.

Mas sonho-esperança não se rende fácil
Ainda que com a água sobre o pescoço
Ele caminha para o lugar-algum
Que é somente onde ele pode chegar
lugar-algum caz
E nadando contra si e contra todos ele vai
Nauseando nas fortes ondas deste não-lugar...

Ainda que supremamente cansado,
Sonho-determinação sabe onde quer chegar.

Juliana Ponciri, 10-02-2011.