sábado, 10 de dezembro de 2011

Des(h)orar

As horas me torturam
Há tempos que desconheço a palavra "ansiedade"
Mas acho que ela sempre esteve ahí em algum recôncavo de meu ser, onipresente.

Surpreendente como a gente que já viveu de tudo
Que nada no mundo lhe afeta mais
Que é sempre tudo 'mais do mesmo'...
Mas nem nós, e nem o mundo nunca é o mesmo.

Tropeço em palavras, me atrapalho em textos
Subjetividades em que esbarro neste labirinto escuro de me encontrar
Temor das coisas que chocamos e que nos chocam e que não se pode controlar
Misto de sonho, de medo, de des-esperar.

Estado de susto, estou estranha.
Coração parecendo bomba-relógio que explodirá a qualquer momento
Ebulindo. Efervescendo. Acelerando. Aquecendo.
Bombando sangue de maneira desgovernada.
Sangue louco, ar louco, disparate de vida re-oxigenada
Maria-fumaça apitando, caos que se agita
Panela-de-pressão pressionando minhas células, agonia
Tambor-de-Olodum na Bahia, taquicardia.
Bolsa-de-valores, falatório de mil silêncios adormecidos então acordados
O olho holográfico do redemoinho que tudo vê
E que asia, gastricia, nauseia, e perde no infinito rodar de si...

O ser humano dá vida e dá morte a si mesmo...
Insubestimável capacidade de auto-destroção!
Como alguém consegue acoplar, fundir, condensar tanta intensidade em algumas horas de espera?
É preciso se monitorar, respirar!
E meditar ao invés de pré-meditar.

Se vive onde se não pensa
Se flui onde se não tensa
Só se alonga a existência quando ela se des-contrai.

Dai-me pois uma tarde de brisa suave
E uns goles de sorriso leve
Brindemos pois a vida que é breve
Sem precisão de amanhãs.

De muito futuro, se morre de não-presente.
Seja e esteja. Apenas.
O mais? Será quando seja.

domingo, 20 de novembro de 2011

Destemperança

Vivo num tempo sem tempo
Sem o caminho do meio
Um tempo feito de passado e de futuro,
Portanto, sem futuro.

Um tempo de gente, humana.
Um tempo de anjos, divina.

A linha de minha idade não pode ser medida pelo presente
Metáfora instável e variável carregada de nadas.

Eu vivo no tempo dos poetas: um tempo sonhado.
Um tempo que se realiza no imaginado
Um tempo dos românticos, ultra-passado, inabitado.

De sóis e outonos vive este meu inverno
De mentira passageira acreditada
Mentira que faz viver
Dose diária de oxigênio às minhas células gastas.

Vivo o tempo dos desabitados,
Gente que carrega no olhar a marca do peito fragmentado
Vazio de amor incurável, aquele nunca alcançável.

Vivo no tempo do sonho
Onde não existem barreiras para os demais tempos
Quando verdadeiramente se quer,
Fecha-se os olhos e as passagens se abrem
Tudo é mutável e possível
Tudo se dilui ante à força maior.

Tempo de gente dilacerada,
Plasmada em tudo.

Tempo de gente que espera
E mesmo quando mente a si mesmo que não espera
O pulso segue esperando...
Tic-tac d'uma desgovernada bússula
Essencial ao movimento do barco...

Tempo de mar: ora revolto, ora calmo
Ora manso aberto e alargado sobre o céu das possibilidades
Ora gritante como uma tempestade.

Tempo destemporal, descomunal, insosso
Vago de vertigem e fosco
Inodoro, inconstante, insípido
Tempo desencontrado dos ante-confessos conhecidos.

Lua desta noite amarga de vida
Dize-me se é possível, ainda que pouco provável,
Que o presente se faça presente?

O céu é lindo...
Brilham as estrelas em sua natural soberania:
Vagas, serenas, tranquilas.

Tudo é mansidão na imensidão dos dias
E o mundo cala em poesia...

E cá embaixo eu: ínfima.
Tão pequena e curta quanto esta esperança.

Já me acostumei ao meu des-ser
Aqui já não há subida
Des-espero. Des-fico. Des-vou.

Sobrei, e sóbria estou
Aguentando o peso desta des-vida.

...Há mais mortes na dor do que supõe nossa vã anestesia.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Pedra Respirante

Solidez nada tem a ver com solidão.
Sólido é aquilo que se deixa balançar.
A ponte só não cai porque vai na dança da água.

Decidi que quero ser pedra respirante.
Ando com os sentidos pouco porosos...
E isso faz machucar,
Pois tudo que é demasiado duro é pouco adaptável.
A mesma pedra que quebra a vidraça, pode ser quebrada.

A água finge que assume a forma da pedra
E enquanto isso a vai moldando, esculpindo sua arte.
Da água se aprende que ser líquido e flexível é ser mais sábio.

O ar entra no pulmão das pedras respirantes
Tornando-as mutáveis e cambiantes, camaleantes,
Portanto, fortes.
Uma pedra sem ar nada pode.

Pedra é terra condensada
E da terra nasce o fruto
A pedra guarda o mundo!

No útero da pedra habita o calor:
Próton vivo aurado de elétrons dinâmicos, revolucionários
De todas as cores e formas, brincantes!
Esperando o abraço da graça.

Neutralizada estou nesta esfera espera
Des-una de tudo, do todo
Dispersa no vácuo das sensações-oco
Poeira estrelar que se apagou
Cisco de não-ser... Quase dor.

Quero reunir as partículas de minh'identidade
Bem ou mal, me pertencem
Ser unidade pulsante
YinYanguizar-me.

Quero enfrentar este caos sem covardia
Botar o peito à luta
E do suor (e/ou da lágrima) da batalha,
Quizás do buraco do esteróide, nasça a semente do cosmo
Flor delicada de poderosos e mágicos dedos.

Quero tecer arte!
Organizar e orgâniquizar estes fios
Óh Moiras, ajudai-me!
Sou ar preso dentro destes emaranhados
Perdi a eletricidade!

Sozinha eu não sei me des-atar
Ato que isolado fica, isolaço não se ata denovo
Preciso sair destes nós para construir novos laços
Me transfira para dentro de uma sutil pedra, óh sábias Moiras!
Fortalecei minha natureza oxigênica!

Amém.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sexta-feira

Sexta linda que te quero minha
Se em ti não cabe o desembocar da monotonia
Também em ti não caberão minhas redondilhas!

Todo mundo espera morno tua fervura
Vamos ensaiando e uivando água, terra, ar, por ti nosso fogo
Fênix que dispara o voo!

Se em tua fogueira nascem as paixões
Óh Afrodite dos dias
Nela também findam
E com direito a cruz e agonia!

Sexta, ciclo do seis no calendário
Da criação, no dia sexto o mundo ficou preparado
Número relevado símbolo do pecado!

666! Sexta, sexta, sexta!
Besta é perdê-la!
Sabá da semana inteira!

No povo chorti, o feminino se prepara
Nos bambaras, a dupla de varões se afina
Lá vem a coruja maia cantando
É chegada a hora da alegria!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Obá

Quem és tu ser cor de barro
Que em tantas esquinas esbarro
Que se me calo
Nunca diriges-me?

Quem és tu olhar de pseudo-calma
Aura de outono vaga
- híbrida agonia que cala -
Cheia de paisagens de mim?

Quem és tu vento de outrora
Resgate do ser-vivente-dentro-agora
Poesia que me acorda
Enquanto tantos faz dormir?

Quem és tu refinada elegância
Presença convite-à-dança
Pós-criatividade que esbanja
As multi-dimensões do existir?

Quem és tu atuação trans-artística
Comunicação holística
Apolínea timidez-mística
Capaz de me ebulir?

Quem és tu quietude que supõe carinho
Suavidade-aconchego de um ninho
Delicada ternura-receosa de menino
Que tanto foges de mim?

Quem és tu não sei mensurar.
Mas me intrigas o espírito, faz vibrar.
Doce e gentil paisagem
Que convida à re-pousar.

domingo, 25 de setembro de 2011

QUERERTE

Quiero respirar tu soplo respirante
Y ahogarme en tu saliva
Y hidratar mis celulas del sudor de tus poros
Renascer de ti como plantita!

Quiero tiemblar piel y pelos de mi corazón en tus escalofríos
Ducharme en la danza mágica de tus sentidos
Adormecer acurrucada en tus deseos
Y despiertar de ti como un beso!

Quiero ser el sol que alegra tus vacilos
La alegria que desabrocha tus oidos
Ser el pajaro que te encanta
Ser la sorpresa que te espanta!

Quiero arrimarme de tu profondo vivir
Y tocarte sublime en la puesta sanada de tu jornada
Calentarme en el viento tibio de tu espiritu
Y anunciar en vilo la mansedumbre esperada!

Quiero escuchar tus tercas ganas gritando mi nombre
Ser la sal que anima el calor de tus huegos
Tumbarme finalmente en los ecos de tu mente insomne
Y matar la hambre de tu cuerpo espamódico, de locura envuelto

Quiero aniquilar la tiniebla de mis miedos en tu cansacio
Reposar por siempre mi promesa en tu esencia
Marchitarme de la ternura de tu gozo desparramado
Y rebrotarme carne trascorpórea en el hallazgo ultimo de mi existencia!

sábado, 17 de setembro de 2011

Naturalmente

A Dario Pouso

Na noite tudo é mutável
O silêncio rompe a poeira do canto
O motor da geladeira faz o gelo lá
E a vida se resume a espasmos.

O tempo me traz a vontade de me ser
Eu queria ousar o eu
Enigma tão indecifrável...
Óh esconderijo cavernoso
Onde só ouço o eco do meu grito
Vomitai-me por favor
Eu não quero o teu abrigo...

Os meses, dias e as horas vão
Jogam-se do parapeito
E meu peito segue
Atirando flechas a esmo
Para onde as horas vão que não me chamam?

Eu queria companhia
Mas eu me recuso a sedativos
Eu não quero anestesias
Não quero remediar, postergar
Eu quero a solução
Infinita mesmo que momentânea

Eu sei que as oportunidades não caem do céu
Nem as estrelas caem...
Por isso eu vivo obstinada a peregrinar
Caminhos tão diversos do meu inverso

Quanto mais vejo diferentes as passagens
Mais resulta o fim delas é comum
E cái sempre na vala do banal...
Do carnal...
Do bossal...
Do animal...
Nada espiritual!

Mas em ti a chegada foi no racional
Pausa no pouso causal
Mente que mente
E reluta...
Demente.
Criativando vira loucura
Quando transcende.

Ele dorme
E o pulso é latente
Duas vidas declinam
Em direção ao poente...
Um desejo presente:
Amanhecer em julho amando
Naturalmente.

Juliana Ponciri, 28/07/2009.

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de setembro
Lua cheia
Vaguidão
Seco breu de luzes assustadas de não ser
Acidentes
Carros
Pessoas
Acasos
Vermes que rastejam sua existência
Ência
Ente que não é
Voz de não-ser sufocando na garganta
Adrenalina
Endorfina
Analgésico
Tudo é tédio sobre tédio
Tudo é dor e gente
Tudo é apelo e solidão
Tire seus olhos sujos de mim que eu quero passar
Preciso respirar de mim
Fujo
Corro
Vou
Espaço
Tempo
Lampejo
Vôo
Parada
...
Para onde?
Mas um gole de nadas por favor
Preciso curar esta torre!
Cismar
Quando estou quero voltar
E quando chego que rumar
Liberdade prisão
Repouso o carro no portão
E a sombra da grade bate em mim
Revelando assim meu disfarce
Atada de não-ser
Dor de viver...
O novo, o novo, o novo por favor!
O homem velho me embrulha
A casa velha me embrulha
O olhar velho me embrulhaaaaaa
Eu sou um embrulho:
Sim, eis-me aqui: presente sem futuro.
Vertigem da noite
Luz que nunca vem
Aniquilamento
Amnésia de mim
Já existiu eu?
Fuga
Mortes ácidas
Azia
Espasmo lunares
Espera
Espera
Espera.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

MutAção

Socorro!
Depressa! Depressa!
Vou-mitar um verso!

Precipita-me uma caneta, lápis ou qualquer
Preciso parir esta inquietude que ao ventre rasga
Blasfêmia que rompe a bolsa do silêncio... brada!

Depressa! Depressa!
Tá nascendo o sol no meio da cala
Palavra metamórfica que religa!

Rude, rasgada
Ela desponta em agonia
Chamam-na poesia.

sábado, 11 de junho de 2011

Órfãos Siameses

Falantes dos cristais de Deus
Vamos nós músicos do universo
bailando alegres e saltitantes como leves harpas voadoras
ao encontro de nós com nós mesmos.

Tu, que deposita em mim a (co)fiança de tuas horas
Eu, a escolhida para ganhar o melhor de ti
Aquela a quem pegas na mão e faz conhecer o que vês:
Teus rios, niños, velhos, ruas, flores, pores-do-sol...

Eu, quem tu elegeste para pupila e igual professora
Ouvidos-vivendo, toque-sendo, vida-acontecendo
Nosso ciao-estando que nunca termina
Nossa vida-amando que Deus humaniza
Nossos calares na noite que o relógio eterniza

Até hoje é sempre o nosso dia
Dialogagem que antevém o verbo
Verboragem que transpõe os tempos
Temporagem que de infinitos, infinita é.
Serestado de adormecer-acordado, paz infinda.

Irmanados do ventre primeiro
o nosso lugar é todo nosso
de ninguém mais
nós o deixamos lá quando fugimos do paraíso ainda crianças,
e nossos nomes estão escritos nas árvores de lá
as mais recorrentes são os sândalos
Que nos perfumam quando lembramos de lá
Nostálgico olor de infância não perdida!

Apesar de sentirmos imensa saudade de onde nunca voltaremos
Temos este medinho tolo do que ainda não vivemos
Maturamos, mas não o suficiente para encarar nos olhos abismais do futuro
Ainda piscamos de medo e de suor deste senhor de cabelos brancos e de sorriso sempre aberto
vestido de palco sem chão, disforme, nuvem de mansidão espalhada
Abraço-passagem: portal do novo.

só sei que nos requeremos porque sabemo-nos passageiros
De tudo! De passagens e labirintos e axiomas sem fim
Aos quais nunca tocaremos
Passarinheiros de ninhos móveis:
Ligeiros, mortais, efêmeros.

E de amor, passamos a rasteira na idade, nos problemas, nos nãos
E de lúdicos, vamos tapeando e intertendo nossa brevidade...
Enquanto sorrateiramente adentramos a eternidade com nossa astúcia.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Das mentiras que contamos a nós mesmos

(A vantagem do homem em relação aos anjos é viver para aperfeiçoar-se)

E o destino vem brincalhão e faz-te parar:
E ante a ti a pessoa que encerra todo teu conceito de belo
Aquele que aprendeste quando criança
Quando tu olhas os passarinhos, danças na chuva,
Beliscas o irmão ou amigo mais novo só para dizer-lhe especial

Tudo fica diferente, sóbrio, feliz, irmanado
Pela sinfonia desta identificação de vozes ante ao imenso coro universal...
Sabem-se notas da mesma partitura
Se ouvem naturalmente e acoplam seus sentidos sentidos à mesma música
Compondo no mesmo tom acordes que se acordam unívocos
E que, interpondo-se uns nos outros, despertos, se complementam
E harmonizam o espaço-tempo do ser vivendo
Energia que espalha brisa e paz e calma a tudo tudo quanto os cerca.

Inegável fenômeno que irmana
Posses que despossuídas se identificam oriundas do mesmo cerne
Momento mágico, tenro, precioso, belo, sublime
Onde almas não precisam de rascunho para dialogarem
Chaves que antepõe a comunicação lógica
Complementos livres da coisa mesma que se encaixam
Imediatitude que jaz e que é em sua forma mais pura e plena
Como uma faixa cor de luz celeste que perdida no cosmo reconhece seu lugar
E que, pousada no arco-íris agora completo, se sente parte
Abraço de graça-música de onde nunca mais se quer sair.

Então se pensa em gozo e riso interno:
“Ah! Que ternura falante! A perfeição existe e acabei de descobri-la!”
E te sentes engrenagem especial da máquina vida
E re-conheces teu lugar no mundo
Co(n)-jugando-se presente-mais-que-perfeito
Verbo cósmico plenificando-se em todas as dimensões de tua carne!

Mas eis que tua humanidade te cobra lugar
E, mergulhado no mais profundo senti(n)do humano,
Divinizando-se pois por assim pleno,
Falta-lhe a coisa inacabada
E tu pensas: “Ainda não aprendi a viver.”

E não aceitas a felicidade que lhe é dada gratuita
Presente presente dos deuses
Tu, co-criador da criação primeira
Livre partícipe da construção maior
Te inquietas e te faltas a ti mesmo...

E de não-ser vais-te ausentando lenta-mente
E te remetes de olhar longínquo ao teu pretérito imperfeito
E de modo conjuntivo caminhas sozinho ao encontro de teus ex-nadas
E uma doçura-saudade te tomas ali e... já não mais estás...

Aprende-se muito cedo que dois perfeitos não se beijam
Que a perfeição co(n)junta se forma pela união de imperfeitos
É o diferente que a alma busca para compor harmônica sua paisagem
Contraste final que pleni-fica o belo na vida...
O radiante-sorridente ipê amarelo no expressivo cerrado brasiliense!

Di-vagação

“Here in my night, i see the sun.” (LeAnn Rimes)

Onde? Olhos de Tango? Os meus??
Então ouses tirar-me para bailar!

Já verás o quão desastrosos são meus passos
O quanto tropeço em meu próprio tempo,
Em descompassada e astuta e louca salsa
Como posso eu ser teu tango?

Intensa! Olhos sem boca que te acompanha nas paisagens...
Mas, que dança é a tua? Conseguirei eu teu ritmo?

Tu, metrônomo, senhor dos ritmos e melodias
Acercas-te a mim despido e fácil e saliente e... me captas!
Eu: duplo ar, fácil assoprar e fazer de música!
Abarcas minhas sutilezas e, de natural, me desprendes!

Conhecedor de meus ruídos mais íntimos
Ouves os ecos de meu espírito os quais não alcanço
Eu: bicho-ouvidos apreensivo e assustado
Reluto em dar os primeiros passos
Nada sei do que sabes, e... quem controla sou eu! (rs)

Eu: coruja-ouvidos, leve te observo, te sondo, te assisto:
Em minhas pupilas-labirintos os espasmos de tua voz pulsante:
Vida! Vida! Vida!

Eu, em minha semi-vida, te ouço, te sinto, te toco, te vejo, te pulso, te sou!
Desfruto sublime o tempo do paraíso no teu riso
E quase que me verto em instrumentista fluindo pluma
No gozo dos acordes dormidos de tuas pausas!

Teu silenciar... abraços de nuvem que acalanta
Minha criança-ouvido-de-dentro que espera a vó vir contar-lhe histórias
Quietude-delícia-aconchego de quem apreende cada palavra
Em dengo de riso-interno e harmonia-paz que nina
Que se deleita melodiosa de carinho, de sonho, de imaginação!

Mas eis que de repente o curiango berra
(Ele só voa com os com os pés no chão)
Noturna lua minha que é terra
Acorda-me de realidade (e me cega)
Ofusca-me-te na lucidez sábia de seu clarão!

Volto para o “entre” de onde saí
Divisão interminável de não-eus.

Vou. Sigo. Além. Pesando. Dosando. Poréns...
Corda-bamba dos ciclos-rizomas de minha matéria primeira...

Vou. Passante. Caminhante. Eu.
Equilibrando mundos no ventre de minha solidão-adeus.

Juliana Ponciri, 03-06-2011.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Re-nacer

¿Y por que me gusta oirte?

Mientras habladme, estás ahí tranquilo
Pero tus pasos resuenan en mi corazón
Y en el mismo pulso
Tu verdad camina hacía a mí
Música que a los diosis hace reír

Tu: rayo de luz que roza mi face
Cariño de brisa que llega de tarde
Vida llena de los sueños que arden

En vilo, siempre te acercas
Tus tercas ganas gritandome hacía el espíritu
Y en la sed que del alma se precipita
Tu viene cargado de anhelos y infinitos

La soledad que aprieta el corazón roto
Y la agonía de tus errones torvos
Añandense a una esperanza ultima
Te haciendo gruñir como un cuervo

Y tu penetras mi ser como un vuelo de mil angeles
Sembrando paz hacía mi ventre
Cubriendome con la miel de tu verdad
Que resbala la vitoria sobre la mente

Y tumbado a la bartola de ti mismo
Marchitandose de una dulzura niñez callado
Tu sonreí tímido de mansedumbre agotado:
Estrella nacida de mi tiniebla!

Tu: vierbo que conjuzgame en todos los tiempos de este tiempo
Reloj de Dios
Carne trascorpórea, vida trashistória...
Te quiero porque tus ojos resumen todas mis vidas a este ahora.

Juliana Ponciri

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Chama-da (...)

Dasein! O telefone toca.
Tu dizes: Sou todo ouvidos!
Contesto yo: No! No te olvides!
Para tenermos presente hay que aprender del pasado!

Tu me conta tuas horas, tua metafísica.
Ondas sonoras me invadem...
Sim, sou toda ouvidos:
aproxima a lente e verás
cada poro meu é micro-ouvido
e se abrem para soar você
Ou pensas que ouvidos não fazem música?
A melhor possível: a pausa, o silêncio.

Meu pulmão-ouvido te inspira
e auscuta tua alma
ele te movimenta o ar-voz em sis bemois
você oxigênio, eu gás carbônico
química harmonia de serestar paz inside us...

Tuas notas-vento me penetram o ser
fazendo sutis movimentos de massagem
Nada posso conter... me tomas!
Tu, música divalgando e devagando-me
Lentamente vou minimizando o ritmo
Me toma nos braços-ouvidos
E no teu abraço-diálogo
Vou cambiando lentamente de
rock selvagem a lírica valsa
cavalgas-me, devagas-me...

Di-fundida em ti
o tempo decorre em sois
(na noite de uma luz-lua magistral)
dó de re-mir este ato em palavras
fa-mi-liar entre os fios de tuas cordas
dont talk about! just feel that!
seguimos nossa dança-pulso vida ousado silêncio
e congruemos os nós de espíritos desprendidos
que conjugam estas sílabas tácteis.

Calemos.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Conjugar a Terceira Pessoa

"O Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus. Quem conhece as coisas do homem senão o espírito do homem que nele habita? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece senão o Espírito de Deus." (I Cor 2, 10-11)

Mania esta minha a de auscultar as loucuras dos homens
Tentar penetrai-vos o coração e arrancai-lhes o sentido...
Mas quem sou eu para aventurar-me a tais façanhas?
Uma reles mortal afundada e submetida a seus próprios mistérios...
Quem sou eu para querer entender o que oculta os demais?
Quem sou eu para querer apontar o caminho a alguém
se fico com meus pés presos às pedras do meu próprio?

Mas tudo o que sei é que Tu repousas em mim Tua morada
Tu sim tudo entendes, tudo vês
Pões sempre as palavras certas na minha boca, em meus dedos
Sobretudo em meu coração
E ainda que eu não possa verbalizar o teu sopro
Qual clarão revelas a verdade ao meu entendimento
E me insuflas de serenidade em aceita-la...
Óh sim divina Chama! Em ti meu coração é sábio.
Não te ausentes nunca de mim
Para que eu possa ter paz nesta vida,
Mesmo sem entendê-la.

Amém.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Eu Rio

Quanto tempo mais leva para a tua boca regressar à minha?
Quantas luas mais terei de suportar sem tua mão encaixada na minha?
Quantas voltas mais a Terra, eu, teremos de dar procurando teu olhar?
Quantas viagens, mapas, e códigos hei de me perder
tentando reencontrar o endereço do teu cheiro-conforto
Este que levei a vida inteira a buscar?

Me diz quem haverá de suprir o teu tenro trono em meu coração?
É todo teu o merecimento do que me impulsa vida!
Que pés hão de ter a textura dos teus?
Que corpo se encaixará tão perfeito no meu?
Que temperatura haverá de sincronizar a minha?
Que tão forte e poderosa energia há de me fazer voar em paz?

Que ouvidos atentos hão de transpor minhas ideias e ideais?
Que doces brincadeiras hão de arrancar meu mais doce sorriso?
Que outros braços hão de dar-me a segurança do teu abraço?
Que outra alma sensível haverá de captar os ângulos do belo
escondido em cada detalhe da minha oscilante aura?
Subjetividade guardada a sete chaves no labirinto de uma vida
que na tua presença é livre e dança criança em sois e sis bemois!

Que delicadeza de traços e gestos hão de dar-me esta certeza?
De estar diante de algo grandioso, terno, puro...
No teu regaço experimento a doce ternura dos anjos
Sublimação de tudo quanto já viveu e vive em mim
Momentos raros e mágicos e plenos...
Saio deslizante e, fluando vou pelos teus pêlos
Passeio sublime em dedos a nobreza de tuas minúcias
Barbas, sobrencelhas, cílios, queixo! (com furinho! ^^)
E fico eternamente acomodada no ajuste perfeito do teu cangote
O cinto de segurança do carro não foi feito pra mim
Mas acoplada às tuas curvas-minhas, nenhum mal pode me atingir
Nada me tira da plenitude êxtase de sentir que te pertenço
Me perco em delírios nos infinitos ínfimos de tuas-minhas formas!

E assim lembrando de ti
Já não fico em mim
A memória de minhas células viajam ao teu encontro
- Já que em mim elas não encontram abrigo -
Tudo quanto pulsa em mim flui naturalmente para ti
Tu ocupas o centro de meus silêncios
A loucura voraz que consome meu entendimento
As ágeis desmesuras acometidas em cada pausa
A fome suscitada, a sede suscitada, a ausência suscitada

Meu corpo sái louco em busca de tua presença
Seu fluxo quer encontrar-te de qualquer maneira, para ser livre
- Liberdade afinal é tudo que minh'alma procura -
Meus pulsos e fluxos querem plenos desaguarem em ti
Tu: mar de sensações e sentidos entendidos unidos unívocos!
Harmonia transcendente de tudo quanto se possa explicar!
Eu? Dona das palavras? Aonde?
Sequer sou dona deste rio que me habita
Não o consigo conter
Ele encontra brechas em mim para vazar ao teu encontro
E nos meus sonhos e distrações
Me molha por baixo, e, tão logo por cima
Esticando a sua represa-eu à máxima potência:
Vou alagando-me e alargando-me e alongando-me
Vou dilatando-me e estendendo-me e distendento-me e espalhando-me
Até de extremo eu transbordar!
Descomedimento em que me perco e quase me rasgo, me quebro, me estrago
Fato é que me desconstruo por completo
E tentando conhecer-te, me desconheço...
Tu: mistério tão claro e tranquilo em meditações
E tão obscuro e medonho em oscilações...

Cisma

Madrugada. Grilhos. Frio. Vazio.
Empty, empty, empty...
Empilhados ecos deste silêncio vacilante...

Vida meio morta, metade, meia-vida
Vastidão desterritorializada e ambígua
Nadas elevados à potências de outros nadas: eu.
Música tenebrosa, mistérios do breu.

Passa tudo quanto passa
Versa tudo quanto cala
Cala tudo quanto chora:
Lágrima que inunda dentro e fora...

Escárnio do tempo,
Vou sem nexo ao encontro de ninguém
Meu entendimento é o não ter entendimento
Cega. Meu horizonte é nada.
Como uma total ausência de poesia.

Castigam-me minhas células
E a areia escorre: nas águas, na ampulheta
Desfile sem cor de abismos bossais
Vultos insossos desta pausa mórbida
Cala. Vaga. Saga...

Ah! Como estou farta destas presenças-ausentes!
E destas ausências-presentes!
O tempo da saudade me adotou por intérprete
Vivo à sombra da impossibilidade
Darkness, darkness! No anwsers me invade!

Aonde hei de parar nesta desmesura?
Quantas vidas terei de sacrificar?
Eu, cordeiro de mim, não páro de me sangrar!
Quantas escolhas erradas!
Oferta despojada e despejada na garganta aberta do nada!
Eloi, Eloi, lama sabactani?
Queres que eu faço reviver o que vivo-morto está
Mas e eu? Substraio-o...
Quantas vidas queres que eu recrie?
Ao passo que reinvento aos demais
Vou apagando, borrando, encobrindo meus passos atrás
E quando volto minha cabeça só vejo lentamente sumirem minhas pegadas...

Cheiro de inércia pairando no ar
Como uma ferida que nunca sana, que nunca estanca
Como uma terra sempre na lama
Como lutar uma guerra que nunca finda
Como ter asas que nunca hão de voar...

Odor daquilo que acaba sem começar!
Impossibilidades impostas, algemada vou
Aguentando o odor desta carne inatitude
Vou castrada... sem sexo, sem sonho, sem nada!
Odor de nada, de não-ação! de nulidade!
Fragância incômoda desta câimbra nada, nada e nunca sái da praia
Rasa. Sensação rasa...
E quão profunda eu poderia estar!

Mas para que afinal conhecermos o infinito se nunca se pode alcançá-lo?
O tempo, a ideia, as grades, as vozes congeladas no gene
A possibilidade sempre sibilando estanque
Notas maquinais, melancólicas e repetitivas
Como o incômodo silêncio de um sertão na seca
Retirante! Apreai-vos! Desperta com o despertar!

Matéria, sórdida matéria!
Como transpor obstáculos sozinha?
Ainda que tão forte, intensa e escandalosa a vontade de gritar... me calo
Por proteção. Já me assustei de mim. É sério!
Ao deparar-me só e notar que somente minha voz me responde...
É deveras horripilante a sensação
Arrepia a espinha e o espírito!
Vazio sobre vazio sobre vazio...
Dimensões intáteis que o cérebro nunca alcança...

Quisera eu como a urubórus engolir-me a mim
Quisera vomitar para dentro e fora de mim uma nova era...

Mas sem pés vou disforme pela rua deserta
Antropodesmerecendo-me...
Quando estamos caindo só vemos olhos sem mãos
Punhos cerrados de não conhecer o tato
Cativos de si, amedrontados
Como intencionar a mão de um corpo sem coração?

E ao sabor da queda, minha cabeça rodopia na noite
Chão que nunca chega
Azia, tontura, tortura, vertigem, anestesia!
Paisagens grises e cada vez mais pálidas...

Ah! Meu doce coração! Te aquietes por favor!
Não vês que cair para fora é cilada?
Não vá na onda deste destino maquiavélico!

A solução é cair para dentro de mim
Vai coração! Mergulha no profundo de minh'alma
Seguro que encontrarás algo de bom
Não em minha frágil matéria
Se hospede longe dela, não confies nela!
Pois ela é ingênua, amora e gentil
Está sempre sorridente, solícita e oscilante!
Fácil chamariz dos ímãs de gentis energias
Não vá por aí! Atenção!
Apesar de confortável, também é lugar sem chão!
Caia sim para dentro de meu espírito
Nele algo de ininteligível flamejante e vivo te acolherá
Suaveza de estrelas e córregos
Ali te fertilizarás... Transcenderás.

Aposenta-te ali e promete-me que serás ágil e fiel transeunte
Que me atualizarás das verdades dali
E que toda vez que regresses me farás ver
As improbabilidades do belo que almejo
E que há de permanecer inócuo no mistério
Dos dias cármicos que desfilam minha vida...

Ahh Moiras! Aliviai-me! Trégua! Estou cansada!

sábado, 14 de maio de 2011

Te regalaré esta noche un par de alas

¡Ven! Si tu no sabes volar, ¡Venga!
Cógete mi mano y mírame en los ojos,
Fíjate sin miedo en este acto de transcendencia
Que te voy a regalar un par de alas!

Sé que la vida ha llevado poquito a poco tu plenitud
Pero mientras seguras mis manos-corazón
Cierra tus ojos y concéntrate en el hecho máximo de esta pausa
¿Puedes sentir la oscilación del caliente viento acercándose?
Oiga como marcha despacito de vuelta el hombre mejor que has sido…

Me gustaría hacer amor contigo esta noche,
Para tanto, ábreteme pues tus puertas y ventanas y risa
Ábreteme el calabozo frío que ecoa por tus ojos-nuben
Quiero zambullirme en esto hielo graso a que tu sangre se ha convertido
Y morir en la hipotermia de la nada que tu abrigas
Para resucitar del fuego de mi amor que te llena de azul
Déjate inundar de mi calor que te llama todas las noches!

Atrévete! Y ámame! Atrévete! Y ámese!
...ya verás como sencilla y suave despierta el alma de pájaro que vives en ti...

¡Ven! No tengas miedo! Cógete mi mano!
Que te regalaré esta noche un par de alas.
Te regalaré esta noche, mi par de alas.


Juliana Ponciri

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sedução

Linda e plácida a poesia gemia...
alongando-se escorria como um rio de abril
febril, inerte meu corpo anoitecia
vertendo-se santo no negrume da sua cândida euforia
penetrando nas veredas de meus doze sentidos
sibilava tentativas de caminhos-explosão
dedilhando versos descompassados por rebeldia
ela teimava em me fazer de ninho
poestesia escorrengo lânguida do ventre
tíbia, sussurrava o grunhir vazio oco dos dias:
_Preencha-me! bradava ela
e eu a tentar formas me retorcia
ela gritava: _Põe-te pra fora alma!
e eu de receio a prendia
como um bicho domesticado
e ela oscilava vadia e voraz
e me inquietava de radicalidade
perscrutava-me com seu hálido visceral
como um vampiro com sede de minhas entranhas
e eu lutando jasmins com o olor de sua fome
ela perseguindo-me, espreitando-me como cobra
querendo vitimizar-me para se fazer plena
regugitar-se por meus poros-voz
timbres sedentos, roucos e desonados latiam
no compasso apressado, forte, denso deste tango-eu
salivando em minha carne suas ganas de éter
de amor, de alguém, de sonho
e eu toda posta em cielo
só conseguia responder aguda
goza em mim tua música pro mundo!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Enfado

A Inquietude.
Eis a minha profissão.

Quantas vezes eu tentei ser pacata, cotidiana, rotineira, normal
Quantas vezes não tentei chamar de "disciplina" a mesmice, a banalidade, o tédio, tentando lhe arrancar alguma beleza?

Eu gosto do cuidado: de cuidar e ser cuidada.
Sou mística, portanto, ritualística.
Se as coisas circulam mecânicas sem sentido,
(Um relógio tem mais sentido que muitas pessoas
Pois ele, ainda que por ilusão condicionada nossa,
ele acompanha o movimento dos astros)...

Ouvi alguém certa vez alguém comentar que vivo de ilusão...
¡Haa José! ¿O que as pessoas entedem por realidade?
Elas compram para si mesmas as "imagens" que vendem
E assinalam o final do dia cismado com um pseudo-suspiro de missão cumprida!
¿Que p...de missão é esta? A de andar em círculos viciosos como cachorro atrás do próprio rabo?
Não meu amigo! Não há movimento! Tu te cansaste sem sair do lugar mi neno!
Compaixão de ti meu gentil e pobre cego... não vês que nadas sem braços...
Te afundas da ilusão chamada espetáculo que bebes,
Te pesas do éter que não vaza no suor diário
Cuida para não virar metal doçura! Ou pior, enferrujar!
Desvicia-te desta dose diária de publicidade desnecessária...

Arrrgh!.. ¿Em que tempos vivemos Dios?
Por vezes me deparo e, me assusto obviamente, que causo o estranho
Simplesmente por agir naturalmente...
¿O que de errado e exótico há em minhas trivialidades?
¿Que mal, sacrilégio, blasfêmia cometo eu em ser HUMANA? DEMASIADO HUMANA?
¿Que medo, ansiedade ou carência as pessoas têm tido em serem autênticas?
¿Então isso é que é normal?
¿Tenho que representar 24hs por dia uma peça que sequer escrevi?
Não! Eu não sou massa que engrossa o caldo das vertigens alheias!
Olho no profundo de cada olho que me acusa e digo de coração livre que possuo:
_Liberta-me das TUAS prisões!
Se ouço os "causos" dos ansiãos quando a regra é ignorá-los, liberta-me!
Se brinco com as crianças quando a regra é repreendê-las, liberta-me!
Se aprendo dos bebês e dos animais, quando a regra é o quadro, a "escola", o diplomado, liberta-me!
Oras bolas azuis! Permita-me o fluxo! Deixai fluir meu ar!
Fogo de raiva vermelha quando me rotulam sem nem me cheirar!
Deixai-me ser LIVRE! ¿Ouviram? LIVRE!
Livre do salto quando eu quiser sentir o chão!
Livre do sutiã quando eu quiser respirar profundo!
Livre dos óculos escuros quando eu quiser te olhar no olhos!... L-I-V-R-E!!!
Não me prendais à convenções! Elas não me convencem!

A culpa não é das profissões! Independe qual seja!
O trabalho edifica, enobresse, devolve os pés ao chão!
O problema é a pseudo lei, é o podre, engomado e refinado protocolo!
O padrão da nulidade!
A pseudo-igualdade onde não há valorização, sequer respeito à identidade!
_Baby, aqui você não pensa, não respira, não protesta!
Aqui você cumpre as vaidades da regra!
A luxuosa perua precisa desfilar seu perfume doce e seu ouro!
Shut up honey! Vem aqui queridinha, vou lhe servir um cafezinho!
De preferência bem docinho! Como a gente faz com as crianças!
Senta posadamente aqui que eu vou te adestrando devagarzinho
só enquanto eu puxo o teu tapete, tá lindaaaa?!
Mantenha os olhos na direção do cafezinho que-ri-da!
E responda apenas "sim" ou "não".
Neste joguinho aqui "a-mi-ga" a bola não volta não tá?!
Fica sentandinha e se comporta direitinho que vou ali e já volto com teu certificado de asinina todo decorado com embleminhas, detalhezinhos e bordinhas brilhantezinhos como a tua maquiagenzinha!
Os diminutivos bonequinha, desculpa a reincidência, é que é para combinar com o teu cerebrozinho fofa!
Olha, escolhe: tenho nas cores cor-de-rosa, roxinho, lilás...
Aqui a gente te pinta do que você quiser!

(...)

Quantas pseudo-vidas!..

Não mais palavras.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Des-Dia

"Hoy és un dia normal,
pero yo voy hacerlo intenso!" (Juanes)


Hoje amanheci gostando mais de mim.
Resolvi reformar o quarto e a atitude
Juntei tudo que não útil
Vou passar para frente para que outros dêem
movimento e vida ao que para mim já é obsoleto
Há que se cuidar em deslocar a vida
Senão ela fica mau acostumada
Correndo o risco de ser fútil e cotidiana...

Troquei as coisas e as cores de lugar:
Re-alugar o espaço pra mente ser mais!
Perfumei o ambiente só para ousar
Cuidei da pele e do cabelo para auto-desfilar
Ouvi música alta e cantei feliz sem desafinar!
Cozinhei uma comida especial para meu ego
E me acompanhei em um vinho do sul brasileiro
No intuito de me tornar mais interessante a mim! (rs)

Passei minutos a fio em um banho todo meu
O sabonete me disse a fazer-me carinho que sou especial
A água que escorria tíbia e vadia por meu corpo seu
Dizia lambendo com sua língua grande de alcançar a alma
o quanto somos parecidas: líquidas, disformes, puras, flúidas...
E um suspiro de relaxar saído de mim
me disse que a paz é algo de que o espírito
se alimenta para gozar...
E senti que o universo fazia amor comigo!

Voltei, e minha cama nova me recebeu de braços e lençóis abertos,
E como pluma que descansa de seu passeio-entardecer na brisa
Aterrizei suave meu ser no planalto macio do meu sossêgo
Onde do lado me esperava Heidegger, para debatermos o dia...
E transcendermos a noite...

Simples sintonia do existir...
Quem precisa de mais?

sábado, 23 de abril de 2011

Fica

"Quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu." (Renato Russo)

E de repente a poesia chega em sua vida:
Os olhos molham,
A boca séca,
Os lábios calam,
As palavras cessam...

A poesia traz este silêncio necessário à plenitude do espírito:
Ela quem sustenta o vôo de sua dança
O verbo para toda carne...

Me vou quando ficas em mim: só em mim!
No teu foco, volto ao meu centro
Equilíbrio de sensações e de pensamento!

Óhhh sinta-me assim!
Carimbo de existência neste mundo grande-ínfimo
Passaporte de acesso ao paraíso!

Digni-ficas me!
Meu atalho para Deus, o Deus homem
Humanamente belo, suave, sublimação expandida!

Óhhh ficai em mim pois!
Deixai cair sobre meus sonhos cansados teu repouso!
Fica com teu mundo-olhos dentro dos meus!

Fica!
Deixai assim aberta a porta deste tempo infinito vivendo
Põe teu pulsar dentro do meu!

Acoplai teu avesso na pele-póro de meus dias
Põe teu azul-sismando no meu cinza-esperança
Construamos novo matiz!

Abra a boca desta tua mente que me acessas docemente
Pintando com flash's de estrela minhas sinapses(e meus sinais)
E grita para dentro de mim o eco subversivo do que não entendes!
E desentendido, nos entendamos pois!

Rosna o brado nobre de teus mistérios para dentro deste meu corpo-mundo!

Óhh sim! Eu te recebo, meu querido buscador de respostas sem perguntas
Te abro meus braços, mente e espírito
Pro acesso de tua identidade:
Abraço de graça, Deus te nos bendiga!

Vem, recosta aqui neste peito e descansas-me-te.
Conta-me com teu silêncio, as tuas andanças,
Anseio de alma escrever em desenho tuas linhas!

Põe tua história no meu tempo!
Despeja teu passo no meu desmerecimento
(Por sois mais e eu menos)

Vem morar no meu óbvio:
Cerrado aberto retorcido de amanhã
Passado marcado de futuro
Presente e-vidente de olhos castanho-terra místicos...
Lindos!

Aqueles que sentem a natureza do quadro antes da informação
Aqueles que sabem da razão das texturas antes da moldura
Aqueles inter-li-gentes de tela transitando parede-alma
Conto sem contos em fadas verdejantes e transcendentes!
Olhos castanhos-querentes!

Óhh fica!
Preciso tanto de ti, meu gentil portal da eternidade.

Sei que me olhas quando eu te olho
Sei da verdade que construímos juntos nestes momentos
Verdade esta que o mundo tanto precisa!

Eu te olho porque sois íntegro, digno, correto
Te olho porque em ti ouço os acordes da justiça
Música qu'esta orquestra-humanidade que vive em mim
toca até à fadiga e relutante exaustão!

Te olho porque tu aprendes dos gatos a cheirar cada detalhe da vida
Não deixando as coisas mais grandiosas, porque pequenas, escaparem!

Óhh sim eu te olho, olhos falantes!
Te olho porque sei que tu me salvas
Te olho porque filtras minha natureza de todo o mal
Te olho com os olhos sedentos de minha pele, do meu respirar, da minha latência
Te olho porque tornas-me viva, presente, chama!

Me chamas... escuto quente o fogo do teu ser
Incandescendo minha matéria bruta e tornando-a leve, fluída, gasosa, plumante, dançante, voante, variante, instante!

Sou TODA no pouco do muito que me dás
Tens pleni-ficado me!

E é neste serEstado de paz
Na serenidade deste porto-caz
Que minha liberdade quer morar
Em todos os dias desta vida desprovida de porquês
Pra viajar na aventura-resposta-beleza exuberante e extasiante desta energia-sonho que emana do nosso encontro...

Ahhh religa-me vida que pousaste linda em minha vida!
Religa-me pra todo o sempre.
PleniFICA-te-me de nós!
Prenda-me pra sempre em teus braços!
Fica.

Ju Ponciri, 23/04/2011, às 19:54.

domingo, 17 de abril de 2011

Aliança

"O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; Ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido para prestar atenção como discípulo." (Isaías 50, 4)

Não afastei Vossos Olhos Amorosos de mim Paizinho
Guarda no Teu Regaço Misericordioso minha vida
Faz-lo por Tua Imensa Bondade, pois sei que não mereço.

Eu, que igualmente LIVRE como TU
Por vezes escolhi viver longe da Tua Palavra
Mas Tu não me jogaste fora
Tu hein? Sempre vendo utilidade nas coisas!
Agora deu de me reciclares...

Faze-Te em mim pois
Tenho alma e todo o ser abertos em primavera
Traz-me Teus perfumes óh saborosa brisa!
Eis a vida a qual criaste, portanto Tua
Tua patente se encerra a cada respirar meu!

Sei que minha boca nunca Te negou
Mas quantas vezes meus atos não se contradisseram com este meu-teu coração?
Este coração que sempre guardaste puro, livre de toda maldade
Este coração radical, fiel e fervoroso por justiça
Este coração sereno, calmo, aprazível por paz
Este coração amoroso, tolo, criança
que insiste em acreditar no bem acima de qualquer mal
Este coração que proclama a soberania do Teu Nome a cada pulso
Este coração que ordena uma vida de entrega, de amor e de exortação...

Espalha este meu-teu coração no mundo óh Paizinho!
Espalha principalmente em cada recôncavo de minha vida
Transmutai-me em coração!
Que minha vida bombeie Teu sangue, que é nosso eterno RELIGARE!

Faze-te-me Nova! E disforme!
Sopra-me! Sopra-me! Sopra-me!
Que eu, duplo AR, transite como o vento do Teu Espírito
Nada o pode prender!

Faz-me-te dançante, mágica, livre
Que eu possa em baile de vida plena inaugurada
Cumprimentar num beijo a paz estrelas
E descer e rodopiar valsando doce e alegremente os mistérios do mar

Que do leste ao oeste, do norte ao sul, de cima para baixo e em todas as direções
Sobretudo a de dentro, que é para onde aponta o sol do infinito,
Se ouça a música de louvor a Ti que emana deste meu cismar no universo

Faz-me PLENA da Tua graça Paizinho! É o que Te peço
Que minha vida confirme a Tua, sacramentalmente BELA!
Que meu abrir e fechar de olhos reverbere a minha-Tua Aliança.

Amém.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ser Tua (meu salmo)

Vigia minha boca Senhor
Sede como sentinela à porta do Palácio.

Meu corpo é Teu reino
E meu ser, templo onde Te vivificas.

Meu pulso proclama a cada batimento Tua grandeza.

Meu sangue diz, correndo e dançando dentro das veias
o quanto És soberano.

Meu cérebro e todos os meus sentidos despertos
assinalam e reconhecem o Teu imenso poder óh Meu ressuscitado!

Tu, suprema vida vivendo em mim
Meu semelhante, habitante desta imagem-argila
coisa que nunca termina
que nunca adquire forma definida
Molda-te-me sempre, óh Presença Artista.

E, ainda que os percalços da vida me imobilize e me seque
Que o Teu Fogo me queime
Que eu ouça o ranger do concreto acordando
Insuflado pela vida quente que emana de Ti

Tu, meu Fogo-Vivo
Meu Pai, meu Filho, meu Espírito
Minha família, meu Três, meu lar
Abrigo que cuido e que me cuidas
pra onde posso sempre voltar

Dinâmica casa que evolui sem cessar
Onde não há mapas, plantas e arquiteturas rígidas
Flexibilidade que se expande gasosa

Sejai meu oxigênio, meu Ar
Quando eu, Tua centelha ínfima, minguar

Fazei-me nova, cheia, crescente

Esposa-me, meu Sol
Sem a Tua luz sequer existo

Sou teu reflexo, lembra?
Aqui por Teu calor viemos habitar

Somos constelação Tua
Por Ti e em Ti, eu e meus irmãos nos pomos sempre em rotação
E mais, em translação

Dignifica-nos pois, confere-nos identidade!
Nosso Infinito, Trindade Astral.

Para ti e por Ti brilhamos
Os homens usam confete, gliter, purpirina no carnaval
Mas Tu, óh Alegria primordial, És nossa eterna festa

De ti brotam nossas mais sinceros sorrisos
Nós, estrelinhas irrisórias
Notas sem canção

Só Tu pode conferir-nos sentido
e à toda criação.

És meu criador:
Sou tua, és meu
De Ti venho, em Ti vivo, para Ti voltarei
No Dia do Infinito
Onde mortal não mais serei.

Te louvo em Verdade.
Em ti, que estás/és em mim


Repousa suave (e radical) em Ti
a minha fidelidade.

sábado, 9 de abril de 2011

Falta

Acho que estou sofrendo do mal de amor
Os sintomas todos denunciam:
A ansiedade, a saudade, a necessidade...

Como um fiel que recorre a uma imagem
Pela lembrança ou pela paz que ela dá
Eu recorro às tuas fotos
Percorro e me detenho a todos os teus detalhes
Estão tatuados em minha memória
Ainda que eu feche os olhos
Sei mensurar com exatidão as medidas
todas as dimensões, volumes, texturas,
a variação no matiz
Quase sei precisar o número de fios dos teus cabelos
sejam eles os brancos ou os castanhos
Sei onde começam e onde terminam teus cílios
tua sobrancelha, as linhas do teu rosto
desde as que formam as formas e a expressão
às que formam a idade
Acho deveras linda tua idade
Há um charme, uma poesia, uma rítmica tão sua
E uma aura que diz: "Olha como sou especial!.."

Sei exatamente onde começa e onde termina a barba
Sim! Esta que me deixa vermelhinha pelo excesso de carinho ^^
A qual meus poros agarram firme suas duas mãos-criança
como se cada fio fosse a corda que não deixa meu ser cair no abismo
E eu te agarro e te aperto e te preciso com esta constância
E com a necessidade, a força, a garra, a vontade de quem agarra um sonho
E eu te abraço porque em ti me encontro
Tu, o caz de minhas canções
Onde meu corpo e meu espírito aporta todas suas vidas:
As que vivi, as que vivo e as que viverei...

Sinfonia mansa de anjos e maré calma
A noite contigo, um ninar de nuvens
Sinto-me filha das possibilidades
Embalada na vida que brota de ti
Cochilo de tanta paz, sossegagem gostosa
É quando tudo basta, completude
E me sinto plena, digna e feliz.

Olhando tua foto eu posso sentir teu cheiro
E juro por Deus que tu estás gravado na memória de meus nervos
Meus dedos chegam a ensaiar tocar os teus cabelos
Eles amam deslizar no parque de tuas sensações
Como criança extasiada no escorregador...
Vai explicar pra ela que aquilo não tem graça?
Mora dentro do reflexo-adrenalina-nervo-sangue-músculo-coração
o valor e o significado de cada atitude vã, vaga
E só nosso corpo-ser-integrado sabe o prazer disso
E da diferença que isso dá no nosso Dasein, no nosso ser-no-mundo
Uma loucura de gestos e ânima que não sabemos explicar
Ainda que desordeiramente tentemos
Pêndulo, balanço no qual a gente se diverte (e sofre) mas não sái do lugar...

E de tua temperatura eu queria só 10%
Porque ainda que eu tirasse um pedacinho de ti
Eu não ousaria não te amar INTEIRO.

No fundo eu sei que me completas
Mas meu orgulho não me deixa me admitir metade
Então reluto contra mim mesma
Esta que te busca na calada da noite quando durmo
Subversiva ela chama teu nome
Tu que é três
Ela bulbucia cada sílaba de cada um pausadamente
E te invoca como quem invoca um ritual
Eu não dou por mim estas coisas
Pois sou deveras racional
Mas eu sei que ela, esta parte, pulsa no mesmo pulso que pulsa em ti
E ela se desmembra e vai ao teu encontro
Por isso me quedo vazia, e chego a ensaiar uma solidão...

Murmúrios de mim te chamam sem cessar...
Volta pro meu seio e divaga em mim pra sempre?!
Eu só quero minha cabeça recostada no teu peito
e o anti-verso
Só quero escutar a sinfonia que orquestra teu maestro coração
Meus ouvidos (e sentidos) ficaram viciados nela
Só quero tua mão na minha enquanto miramos as estrelas
E teu riso no meu
E teu olho me desvendando e me inaugurando e me lambendo com um gato a si mesmo
Quero teu olho dentro de mim
Quero-te vasculhando meus labirintos e
despertando luz em cada ricón escuro
Quero que sejas a água que passa e lava toda poeira velha
estas que ficam instaladas debaixo do tapete de nossas dores
história de luta, sangue e sonhos
Quero que te sejas em mim
E te sentir de tamanha forma teu
que quando eu menos esperasse, no de repente da vida
Estarmos um seria apenas consequência.
Te quero seu, cada dia mais...
para seres em mim,
em nós,
em nós e laços e novelos
Entidades que despertam, abrem a janela
e inauguram a dimensão da eternidade...
Welcome to your new life,
Welcome to OUR LIFE.

I'm waiting for you.

Ass: Tua bebezinha.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Vaguidões

Tempo que não disfruto da noite crua de suas luzes laranjazuis...
A luz amarela segue salgando a intermitência
Assim: mórbida, fosca, morta.

De tanta artificialidade ando perdendo minha incandescência
Talvez seja eu só reflexo sem nexo convexo verso deste distúrbio volátil dos dias...

Insone, vou por entre vagões e vaguidões de não-eu...
E sóis nuvens, da mesma solidão-mim, o velho matiz cinza...
Típica moléstia agonia comum que retumba a insuficiência do mundo vazio de si...
Bem lá onde não consigo sagrar minha primavera...
Cada dia me tenho mais gris
Desertidões de óbito são emitidas nos carimbos-passos sonoplásticos que compõem esta sinfonia rasa que embrulha-me os sentidos...

Vomitar um verso novo sobre ela!
Regurgitar vida nova para dentro de mim!
Ex-tra-vasar o verbo!!!
Derramar-me para dentro da possibilidade!

Olho a janela
No próximo minuto serei REBELDE!
Estou RESOLUTA.

Vou fazer meu tempo.
Sim! Torná-lo próprio!

Vou me permitir o tempo da maturidade:
Dos anciãos que caminham carregando
Sobre os ombros e as almas
A clarividência dos anos...

Vou me permitir o tempo dos enamorados:
Que por um carinho, um olhar ou mesmo qualquer gesto frívolo
Subvertem as leis ditadoras da pseudo-verdade dos ponteiros
Criando, melhor, religando-se à sua realidade primeira
Tão cheia de tanta identidade!

Ah... ¿Que delicadezas de gestos seriam tão fortes a ponto de aguentar meu peso?

Caminho por entre a gente
E cada passo meu carrega os silêncios obrigados a calar.
Qualquer carinho de brisa me valeria...
Ainda que forçada por um rastro de trem, de ônibus, de pessoa
Transeuntes compulsoriamente apressados e cegos para ver se se alcançam
Sem notar, que quanto mais correm, mais a vida se distancia...
Porque ela que tem seu ritmo contrário a qualquer lógica
Inclusive à sua mesma...
Quando a gente acha que já aprendeu o rosário
Ela nos remete a novos mistérios...
Tão própria de si, tão alheia a qualquer sistema que não seja a transcendência
É de sua natureza ir além:
Extra-vasar!

Engulo um pouco de ar-pressa pra ver se me salvo...
Ops! É chegada a estação!
Quero um gole de agora
Vou beijar a primeira criança que cruzar meu caminho!

Religa-me vida! Religa-me..!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Três

Ok, este não é um blog somente de poesia e poemas.
Mas sobretudo um blog de reflexões.
Portanto, a regra aqui é não ter regra.
Mentira! A regra aqui é a VERDADE.
Há que se ser RADICALMENTE FIEL à sua natureza,
ao seu presente (nos 3 sentidos: tempo, postura e dádiva).
E a verdade é que não tenho verdade, mas sim verdadeS
misturadas, cambiantes, dinâmicas, acategóricas, verdades sensíveis.
Pessoa diria: "Não tenho filosofia, tenho sentidos."

Falando nele, uma vez perguntaram-me se Deus não tivesse este nome, qual seria?
Eu respondi mui tranquila, direta e claramente: "Fernando Pessoa."
A criatura quase infartou. E seguiu:
"Nossa! Eu achei que tu falarias Buda, Gandhi, ou qualquer outro semelhante a líder religioso. Mas por quê Pessoa?
E segui: "Simples. Quem tu já conheceste que congregasse 3 heterónimos perfeitamente diferentes e tão complementares em uma personalidade una? Onde mais 3 pessoas se requer assim mutuamente e se impulsiona reciprocamente? Que eu saiba, além da chamada "Trindade Santa" também conhecida por "Deus", somente o ortónimo "Fernando Pessoa."
E recomendei gentilmente que ela lesse o filósofo Santo Agostinho.
Blasfêmia? Heresia? Queima-me pois na fogueira! (do Espírito Santo) =P

Mas a reflexão nem era sobre Fernando Pessoa... Xiii...Esqueci!!!(???) Whatever...

Enfim, mas já que estamos na questão trinitária, sigamos.

O número 3 sempre me instigou.
A começar pela numerologia, a soma de todas as letras do meu nome de batismo dá 3.

O 3 está em tudo, ele é o alfa e o gama, o gênesis e o apocalipse (que é re-começo).
Lá nos primeiros versículos do capítulo 18 (múltiplo de 3 rs) já temos:

"O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhos de Mamrê, quando Abraão estava sentado à entrada da tenda em pleno calor do dia. Ele ergueu os olhos e percebeu TRÊS HOMENS de pé junto dele." Abraão viu o Deus 3!!!

O nosso culturalmente famoso 666 é uma sequência de 3 números!

Pobre 666! Dizem que é porque forma a dízima periódica 6,66(homem) e perfeito só o 7(Deus)... Mas do 7 eu nem tenho tesão em falar posto que ele já é unanimidade... (E descordando de Nelson Rodrigues, esta daqui não é burra!)

(eita! reticências são 3 pontinhos! rs) Adooooro!!! Representa aquilo que segue para o infinito...

Não dizem que duas linhas retas se encontram no infinito? Olhando daqui pra lá o desenho é um triângulo, ou seja: 3 individuais linhas formando uma coisa só! ^^

No terceiro dia eu vou me encontrar no infinito...rs
Pois se a terra veio da água ao terceiro dia(gênesis cap.1), e a carne do espírito ao terceiro dia(ressurreição), prova que esta minha liquidade de ser está no caminho certo rumo ao terceiro dia da concretude...
E nosso dia é 24hs, ou seja: 2+4= 6 que é múltiplo de??? kkkkkkkkkkk

Como diria Luciano Huck: "Loucura! Loucura! Loucura" (3x)

"Que minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é Amor, e, a outra também."
E se Deus é Amor, e é TRES, (3 letras tres, amor) tudo começa e se encerra n'Ele.

Amém.

domingo, 3 de abril de 2011

Surpresa

Surpresa encontrar o diferente irmanado
Seres que carregam o espírito aberto em pavão
Colorindo e abraçando a humanidade anestesiada
Humanizando o maquinal, o frívolo, o fútil

Surpresa ouvir tua voz tenra, doce, pausada
Recostar meu cansaço na rede acolhedora de teu timbre
Seguro, preciso, macio

Surpresa senti minha pele cantando o cântico dos sereias
Melodia que enfeitiça levando-me a meditar
Surpresa notar meus poros dançando em harmonia o balé em alga da tua energia
Suave e elegante valsa no derramar do teu abraço em mim

Surpresa saber do teu toque em meu ser convertido em dedos
De toda tato que sou nossas mãos se dão rumo ao infinito
De tuas mãos... que dizer delas?
Tuas mãos me levam a tocar as estrelas
Que importa se elas não tocam violão?
E teus olhos? São um dilúvio de ternura
Que importa os dias que hei de passar na seca?

Surpresa teu sorriso despertando o sol em pleno coração da noite
Fazendo luzir tua alma-lençol expandida no universo de meus dias cinzas
Surpresa teu pensar tão puro e direto e perfumado
Simplificando o meu caos e dando-lhe objetividade

Surpresa saber-te homem, digno, ético
Surpresa saber-te compreensivo, solidário e de riso fácil
Surpresa saber-te entregue, romântico, menino
Surpresa nossas histórias, medos e sonhos assim confundidos...

Surpresa é ainda surpreender-me ante ao meu comunal nadismo.

Hoje é primeiro de abril, dia da mentira
Estaria o destino pregando-me um peça?
Não me acorde com a cifra desta verdade
Permita minha música extravasar esta nulidade.

Amém.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sonho de um Resgate

Quanto tempo mais hei de seguir vacilante assim até a próxima vertigem?
Quanto me dura o tempo da sobriedade?
E quanto dura o tempo não-tempo de estar VERDADEIRAMENTE desperta?

Sigo nesta constante apatia...
Aquele estado de anestesia a que todos os presos entram para suportar a realidade de seu pequeno quadrado...
Mas como dizer para este espírito de atitude tão ativo e esmeroso da razão desta catalepsia?
Até quando poderei suportar a este estado-passividade a que o destino me submete?
Joguete de suas mãos ágeis e estratégicas, a rainha vira mero peão...

Tudo quanto busco é um rei para que eu defenda com garras, sonhos e sangue
Para que cada movimento e passo que eu dê nesta torpe vida tenha razão de ser
- ência sem nexo quiquando em círculos viciosos -
Tenho meus objetivos bifurcados: estrabismo vanguardista!
Nada nunca vem, e, quando vem, vem assim confuso, vago e meio alheio
Distante de dentro de fora de mim...
Concha oca da solidão ainda ecoando mil mares sonhados...
Vento que uiva em meus secos ossos neste vale deserto
Vale de fome, de sede, de ansiedade do que nunca vem...

Às vezes crio, consciente, estas miragens
Que de repente vem chegando qualquer luz pura para me resgatar
Qualquer anjo vertendo dor em riso interno
Qualquer amor que me abrace e insufle vida em meus ossos...

Mas a verdade é que me tenho esgotada
Não tenho mais forças
Nem sequer para ir a te buscar meu anjo
Para clamar bradando em alto tom que venhas

E esta minha fase depois do cansaço usurpou de mim a voz
E sinto que se me escapa também o pulso cardíaco

Tenho minhas mãos são frias e pés frios de futuro
Cheguei ao décimo segundo dia de minha desgraça,
A partir daqui nada mais passa.

Só me resta mirar em loucura sem ao menos piscar
A criação da tua imagem que nasce do mais verdadeiro de mim
Tu: visão magnífica oriunda das profundezas do sétimo sonho
Tu: supremamente Belo
Olhar de paisagem plácida de por-do-sol
Serenizas-me.
Imagem que integra, re-integra e congrega toda a infinitude desta constância
Meu religare.
Por isso ouso chamar-te infinito
Porque desde o nome até o caráter, és grande, és nobre.

Tu, sétimo signo, filho das adoradas e adoradoras Vênus e Pallas
Supremacia de mim: amor e sabedoria.
Quero nesta tua sétima casa, lar de onde nasceste e que cuidas com exímia diplomacia,
morar até o fim de meus dias dados...
Concede-me este porto?
Desgruda-me desta lama em que nado nado e em nadas caio?
Lava-me com o líquido do teu amor, preu nascer de novo?
Vem logo! Não tardes, já é noite, te espero há sete séculos
Amanheça este sol que a vida me apagou
Faz-me nova, leve, pura, brilhante...
Faz-me TUA, simples, constante.

Juliana Ponciri, 24 de fevereiro de 2011.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Espejismo

Y quien son estos que dicen que el amor no se equivoca?
Que pinche fantasma és este a quien busco y que me ciega?
Me vuelvo loca como un perro corriendo tras su rabo
Círculo vicioso que va marchando hipnotizado por tu mirada...

Cerrada en mi locura, sigo en espiritu buscando el infinito
No sé si llegaré a mi verdad, mi encuentro, o mi abismo
Sigo a ti y esta mirada que tiembla como una enseña en mi camino
Borracha por creer, en lo único que aún me hace respirar...

Como decir a mi desierto que tu nada más eres que un espejismo?
como decir a mi sed que tu no eres mi oasis con cascadas?
Como decir a mis venas que tu no eres la sangre que la nutre?
Como decir a mi aire que tu no eres su oxígeno?

Agotada, miro tu fotografía como un niño que mira por primera vez el mar
- Y zambullome en esto horizonte de posibilidad -
Traspasando mil dimensiones cerradas
Llego donde nadie ha llegado antes: al lugar ningún, nauseada por tanto sueñar...

Y co-fundida con mi-tu voz perdida en esto huracán
Convertida en un ressonar de mil ecos ancestros
Voy girando en este labirinto sin salida
Mientras les oigo hablar por mi poros, oidos, ojos
Monstruos que no puedo controlar
sonando esta musica fria, vacía, de soledad, de locura, de vértigo.

Yo no he elegido esto, no! por Dios!
I just wanna escape to myself.
where am i?
Shut up!!! I need hear my silence...
Please, just take my hand and stay here... sofly... slowly...
And put down words in my spirit with your soul singing me...
Just let it be! 
Breath us until the sun rises us!!!

(...)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Start Over

E eis porque minha vida é um blog aberto que venho novamente cá desabafar...

É preciso ter muita coragem para escrever neste estado domingo
Não sabe? Uai... é este estado depressivo, ocioso, vacilante.
Vai dizer que nunca teve um destes?! Todo mundo já teve! Não minta para si... que feio!

Final de tarde. O tempo está cinza. Fechado. Existe um silêncio mórbido escravado (Ah sim computador! Desta vez você está certo! É encravado mesmo! Pois creio que o barulho é que é escravo dele e não o contrário! Pobre música dos dias... feita do vômito desta mesmice!). Ok. Voltemos. (...) Existe um silêncio engasgado nas minúsculas e quase imperceptíveis pausas que acompanham este furdunço desvairado dos sons vizinhos.

Eu desastrava em dúvidas pós-almoço deitada sobre minha cama quando no ápice destas inconstâncias e desistências, o vento como um menino teimoso e birrento que tenta que comunicar destruiu mais um espelho meu! Creckt! E lá se vai mais um. Em vinte e nove anos, um histórico de uns 20 espelhos quebrados... ou mais! Acho que nenhum ser humano sobre a face (ou o inferno) da Terra quebrou mais espelhos que eu. Não posso crer ser apenas coincidência.

O vento... Há tempos que tento ouvir sua voz meu caro, mas sou surda destas coisas. Até aqui eu pensei que estava no caminho da evolução... mas não sei porquê te exaltas tanto! Foi um tapa na minha cara? À la wake up?! Foi? Ou foi um finalmente-de-aleluia como o dos fogos de artifício? Caramba! Porque entendo idiomas outros e não a tua língua? Não me deixa assim impotente! Pleeeease! O que você disse? (...) Sabe aqueles dias de tenra calma em pores-do-sol quando tu calmo, carinhoso e dengoso me acaricias a face? Ali eu entendo o que queres dizer... como entendo! Te chamam brisa quando vestido assim sabia?! Ficas mui elegante viu?! Mas assim adolescente rebelde eu não consigo meu querido e doce ar... Diz pra mim o que de mim esperas, te peço em respiração: assim te recorro, assim te chamo em pulmão pelo nome... (quase meditando)
Eeeeeeeeeeeeeca! Que isso?! Argh! Pelo ar de todos os séculos! Que cheiro é esse? Que horror! Que asco! Que... xxxxx

Vomitei. Inevitável isso. Meus vizinhos e seus churrascos!
O olor fétido da carne de algum bicho sendo tostada... pele queimada, meu Deus! Como pode?
Tá. Mas quem sou eu para julgá-los?
Quem garante que nas minhas inconsciências eu não faço o mesmo?
Seguramente faço comigo mesma: torro a pele sadia de meus dias nestes meus abismares...
E me afundo...

E se por um lado isso tudo me causa náuseas
E dá vertigem de tanto nojo enfraquece o corpo através do estômago (e do espírito)
Tanto maior é a dor deste pensar!
Minha cabeça oscilante, este tornado de sensações e reflexões
Vai girando insandecidamente sabe Deus pra onde!
Em direção de mil tempos! Louco ir e vir!
Erupção de mil mins em flash’s, choques e trovões de gerações e ancestralidades!
Não sei até onde posso suportar as afetações deste redemoinho de não-tempo!

Aos filósofos devia ser vigiada a ação do pensamento
Como disse Shakespeare sobre a loucura dos grandes
Sim! Nossa realidade deve ser vigiada!
E, quando assim mais aguda, sedada por qualquer ilusão
Ahhh o arco-íris da ilusão! Mágico véu de Maia... Tão lindo!
Tão confortante, aconchegante, ninante...
Sair hoje? Dançar? Ri? Mas de que e por quê mesmo?
Não! O torpor mais alcoólico que posso ter é este
Que há de mais ácido para o estômago, o fígado e o ser que não a realidade?
Uma dose mais por favor! Quero testar minha resistabilidade!
(É isso mesmo! Tudo em mim é consciente: não é resistência... é resistabilidade! Será que esta duplamente aquário é tão estável quanto dizem os astros?! (riso sarcástico)... piada! Ops! Parêntese dentro do parêntese? Que funil é este e para que dimensão estou indo?! Isso não é mais fluxo de pensamento, é distúrbio, disfunção, novIdade deste tempo-espaço!)

Se o destino quer brincar comigo, ele escolheu a pessoa errada!
Sou osso-duro-de-roer! Pode me mastigar assim seu cão raivoso!
Você não vai conseguir chegar à minha essência! (se é que eu tenho uma! rs...)
Venha com teus dentes vorazes, que eu estou aberta para que me feches.
Em veias, espírito e alma cá estou:
Que me feches em qualquer linha do tempo e me dê significados. São estes que preciso, não predicados!

I’m ready to turn me free. Just… comes.

Juliana Ponciri, 13-02-2011.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sonho-Semente

Ainda distante do sol o sonho renasce...
Tímido, calmo, tranquilo
Sereno e vivo como uma paisagem depois da chuva
Sonho molhado, cantante, apaziguante...

Este sonho-sorriso é uma coceguinha do espírito
Como o riso simples das crianças a descobrirem-se vivas
Puro, meigo, terno...
De um tipo de ternura tão peculiar!
Aquelas que te assaltam das coisas mais inusitadas
Ocorre principalmente quando a gente tá distraído...

Sonho-amanhecer, mágico!
Diluído em matizes mil: prisma de sensações.
É gozo simples de alma pulsante
É abraço-aconchego de vento-brisa constante
Música que nos levita
E causa riso fácil e bobo... fascina.

Sonho-surpresa, vem se acostanho mansinho
Brincadeira qualquer de um destino sapeca...
Et voilá! Eis que a profundidade-céu de um olhar o enfeitiça
Hipnotizantemente você adentra o mundo de dentro seu
assim tão fora, exposto em outro
Imediata identificação, imediata necessidade, imediata causa
Avessado então você vai ao encontro de sua completude convexa
Tão complexa sintonia harmonizando corpos, espíritos e mentes!

Sonho-fome de toda noite
Quer se infartar de comer a agonia para digeri-la vida
A ponto de arrotar felicidade!
Despertar de primárias vontades
Desejos intensos, vorazes, profundos
Mas... ridicularmente simples.

Sonho-medo ao perceber-se sonhadofazendo
Duvida de tão pleno
Como Pedro ao notar-se caminhado sobre as águas
E oscila, reluta, vacila... fragiliza.

Mas sonho-esperança não se rende fácil
Ainda que com a água sobre o pescoço
Ele caminha para o lugar-algum
Que é somente onde ele pode chegar
lugar-algum caz
E nadando contra si e contra todos ele vai
Nauseando nas fortes ondas deste não-lugar...

Ainda que supremamente cansado,
Sonho-determinação sabe onde quer chegar.

Juliana Ponciri, 10-02-2011.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

VersAção

Como é difícil a construção do verso!
Apesar de atrevido, ele é arisco
Como aquele bicho que veneramos por sua roupagem
Aí catamos os melhores ângulos dele
Seja no olhar ou na foto
Para tentar torná-lo eterno...

Ahhh o verso! ele foge da gente
E ainda ousa fazer cara de menino marrento em desafeto (rs)
Mas no fundo é só charme
Ele gosta de ser dengado, paparicado, mimado...
Faz parte de seu show...

O verso tem uma carência narcisista
Arredia, mas bondosa...
Ele tem coração mole
A gente faz-lhe um cafunézinho, algumas juras de amor e ele vem de mansinho
Lançando em nossa direção aquele olhar ingênuo e descuidado
O olhar meigo dos perdidos encontrados.

Como um beijo pairando no ar em desatino
- O verso é este desigual dado -
E para entender de verso é preciso mensurá-lo
Chamar-lhe baixinho ao coração
Como um mantra entoado no ventre

Daí então o verso vem como o vento
- É próprio de sua natureza este estado de ar -
Ele que vai se esmilinguindo em nossos tempos
Irrisando-se clama-nos rarefeito

O verso quer tempo! Um tempo-verso:
Um tempo só dele onde ele se expanda
Onde ele, disforme, se re-forme e se transforme em mil tons
Onde ele possa compor sua música em corpos e mentes

Ahhh o verso carece de amor... um amor-vento
Que lhe dedique horas da mais terna atenção
Que lhe oferte gestos nobres de gratidão
Que se lhe entregue a completa e complexa desasperação:
Cansada, ofegante, relutante...

O verso tem sempre o colo e os braços abertos:
É completude, é impulso mútuo, é ímação (e hermanação)...
Dá colo e carinho pro verso
Que eu lhe asseguro, ele não te abandona não.

Ju Ponciri, 27/01/2010.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Anymore

Alone, I still wait
into the light of this dark
into the music of this silence...

You're so far away from me
and I dont believe in nothing, anymore.

I lost my time, my hope, my peace, my faith
in the human, in the love
and I feel that I never will can find it anymore.

I miss you like I miss myself...
you gave me some care and my doubts go away...

Ohhhh your magic embrace making me strong
and I could dream breathing the paradise...
And I know, right now, all that can save me live in your arms
So, Why dont you hold me for the last time?!
I realy realy need feel anything beyond the human...

And I need your taste in my mouth to get eat my daily bread
And I muuuuuust your frangrance in my nose, in my skin, in my lung to can breath the life that remain in me
Until my hands always freezing was ignited tingling and asking the yours...
How explain to them that they never more will can touch you?

I'm here screaming through my cells your name
Perhaps looking for the mercy of the destiny to my tired days
Some gift of God...
Your heat, maybe.
Is YOU my sun that I need to photosynthesis my dreams
My spirit needs fly in your wings
I close my eyes and your shine eyes is my prayer
I can see them saying me: "Lua!"
And I never will forget this feeling anymore.

Juliana Ponciri, 19-01-2011, acho. Em mais uma capicua: 06:06

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Das vacilâncias do Espírito

"Repousa, espírito confuso! Nosso tempo está desnorteado.
Maldita a sina que me fez nascer um dia pra consertá-lo!" (Hamlet)



Ah tuas dores! Não sei lhe dar com esta vastidão de não-eu
ela se instaura nos âmbitos mais ínfimos do meu ser
e vai acumulando vontades, segredos, paisagens não vividas.

Diz-se que o sonhar causa estes danos
Mas como posso eu respirar sem sonho?
Como posso acordar sem sol?

Ai valente signo de ar cansado das labutas da vida...
Ergue pois esta cabeça e começa denovo
Teu novo ano, teu novo tempo, teu novo lugar.

Fazem chacota do que ofereces de melhor...
Não. Eles não sabem bravíssimo ar
Das possibilidades que só a ti o mundo conferiu.

Acalma-te espírito de amor
Tudo foi mentira: criação de tua carência criativa.
Você não reencontrou abrigo, e sim criou teu próprio cativeiro.

Foste tu vítima da sandisse desgovernada dos dias
Da loucura de desesperar na esperança
Que afeta até os mais brilhantes cérebros.

Não te rendas assim tão fácil
Repara na sabedoria que os anos lhe deram
Ouça ao longe o canto dos pássaros.

Não te entregues às fraquezas de uma natureza viciosa
Se lágrimas vieram, convide-as para lhe banhar
Precisas sim lavar-te das ilusões as quais te apegaste.

Sereniza tua mente bravo ar
Abranda teu passo, tua vida, teu desejo de todo dia
Trabalha e caminha, você ainda se achará.

Juliana Ponciri, 17 de janeiro de 2011.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Página

nudo en la garganta
recuerdos del ayer
corazón de tempestad
latidos locos tras la fe
esperanza de futuro
voz de marioneta...

tic tac, tic tac universal...
el silencio de mis nadas.