sábado, 6 de novembro de 2010

Vanity

"Vanity: definitely my favorite sin!"
Dizia o diabo em sua última frase in The Devil's Advocate...

Já reparou a quantidade de água que se é gasta para se lavar bem um cabelo?
Se nós mulheres realmente tivéssemos consciência ambiental, seríamos todas carecas! rs
VERDADE! Mas presas às máscaras dos pseudo-valores que nos são impostos, sendo o mais venerado deles a aparência, gastamos como loucas tempo e recursos que não nos voltam mais! Infelizmente.
Brindemos pois em vermelho a hipocrisia rosa! ;)

PS. Chamam-me amorosa... enquanto ODEIO em cada centímetro de cada fio de meu cabelo e em cada milímetro cúbico de oxigênio de meu pulmão aos sujeitos idolatrantes da nicotina! ¬¬

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cinza

Verbos fósseis e saudades sobressaltam a pálpebra seca dos dias
suaves nuvens divaguam-me junto à elas
me vou por entre 7 mil seres plasmada em 7 mil mares...
e eu só queria uma cítara no coração da noite:
tua voz a dizer macia meu nome pr'eu viver mais.

Vezes calo por ausência de mim
transposição das coisas que existem e que não as posso
viver na existência delas é meu martírio
sou tudo quanto não é possível
sou a impossividade dos séculos pele
tantos metros de poros que ecoam vertigens passadas
sou o humano que calou...
e que inda cala.
calafrios, mornos e quentes.
calares que quizás nunca edificarão sermentes.
infertilidade de ser
vou ficando, por isso metade
uma me segue, outra me fica
e somente inteiro se edifica.

Que nadas me aguardam no próximo ato?
que pode ser mais vazio que este desfile de máscaras vazias?
desabitude secular... secangular! sem lar...
aridamente inóspito carnaval!
Por Deus três! quão me sinto só!
Se até Tu precisaste de uma parte humana
dize-me se te posso representar sozinha?
triplifica-me senhor!
tem dias (e noites) que não me posso mais!

Te silencio nas dívidas de mim.

Juliana Ponciri, 03 de novembro do ano de 2010 em qualquer esfera rondante do planeta! voante, divagante, constante e... não menos viciosa e viciante... como uma bolha de ar.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um outro sangue é possível

Ah sim! Veja-me pois!
Até eu que busco a soberania da plenitude
estou batendo ponto no tempo e espaço deles...

Presa às grades e edifícios frios do sistema,
calo a poesia que transborda e que procura desesperadamente abrigo.
Ainda guardo cá dentro o poder do sol do passado e do futuro
assim, fazendo suportável o presente.
Este sol é meu fim:
ele me habita com suas paisagens ricas e imensuráveis
de tons que vão do laranja ao azul anil
que, misturando-se à este matiz-carne que sou
explode num arco-íris de vastidão infinita para dentro:
Luz, cor e calor!
sou vida, ainda que morte
sou riso, ainda que corte
sou ternura, ainda que dor
sou nostagia, ainda que realidade
sou esperança, ainda que saudade
sou essência, ainda que espetáculo
sou eco, ainda que buraco
sou poesia, ainda que métrica
sou fé, ainda que cética...

Metida na simbiose hipócrita de suas "normas" e números
vou criando meu meio, minha e tão minha lei marginal
sub-escrita no meu verbo de dentro
E alimentada por este olho paralelo
- necessário estrabismo -
Privilegiado lugar: as margens são mais que torres
daqui se vê o movimento de todas as peças
ainda que eu ande retilíneamente...
dança sem lógica, melhor, na lógica dele: o sistema
de pensar que engendro esta loucura
xadrez de ninguém
teatro desvairado de nadas absurdos
desfile dark pomposo, sofisticado e... maquiado.

De que cor é tua máscara de hoje?
Serve-me pois nesta taça um pouco de teu suor amargo
Vinho decorrido de séculos caninos
Condensarei, domesticarei e venderei na bilheteria do diabo
rentável comércio de valor!

Voltarei de hastes erguidas desta viagem absorta
Cantarei teu verso em tom maior
- menor, bem menor sou eu -
serei tua fábrica de sonho
E também da chuva lhe falarei.

Cálido passo que cái com a tarde
Tudo arde quando as portas se abrem e me expando
Sou tudo e nada plasmada ínfima e majestosamente
Ubiqüidade maior, cósmica, pássara
Respirar de células e líquida
Da suposição de que me olharas e me querias
Um corar de faces latejantes que olvidara que o sangue inda era possível
Fumejar de asas ressonantes a salientar vida
guardo-as no senso, na timidez, na...

guardo-me.

Juliana Ponciri, 28 de outubro do ano de 2010.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Aniversário

Amanhece para mais um dia de obrigatoriedade de mim sem ti
Recusa de espírito
Quer ficar aqui na cama, recolhido
Sonhando que assim possamos estar unidos...

Chove. Fina e constante.
Como a tua ausência
Ausência que grita aguda em meus poros
E que se torna ainda mais estridente com o frio.

O vento é suave
E acarinha a cortina da janela aberta
Que dança como uma criança tímida
Porém, leve de interna alegria.
Quisera eu ser tão leve tão ela
Quem sabe assim eu voaria para dentro de onde te escondes
Assim duplamente escondido, pois de mim não saiste
Habita cada rincón de onde não posso ver ou tocar
Apenas posso sentir.

A física quântica prova que a vida é mesmo esta ausência condensada
E subitamente por se inflama e sobressai o calor daquilo que fala
Que precisa falar, que precisa se ex-pressar
É deste pulso, desta pressão, desta voz de (e para a) transcendência
Que o amor se alimenta... e pega carona nas ondas que ele mesmo incita
e faz propagar...

Todo milímetro me assusta
Tenho os sentidos aflorados
Assustei inda a pouco com a sombra de meu próprio pé
Hoje mais que de costume me encontro deveras avessada
Sinto-me vulnerável
Tudo de dentro que está fora se expande
- movimentos gasosos -
Quando dentro ainda tenho controle
Pois prisão afinal é isso:
O controle do caos, a comunicação por leis,
a racionalização dos sentidos em prol de uma "ética maior".
Pois bem, desde que te foste vivo presa em mim
Co-habitada por ti que és mais (e maior) que lembrança
Por ti que é uma espécie de devaneio de células
Por ti que foi (e talvez inda é) extensão de mim...
Tu, fogo vivo que inda me queima
E que me assalta os sentidos
Estes mesmos que afirmam (e afirmo) serem meus
Que de tão meus me assustam... como pode isso?

Os pássaros desta manhã estão recolhidos...
Estranho! Eles costumam salientes e expansivos fazer-me serenatas matutinas...
Trabalha lá fora timidamente a vida:
Formiguinhas na parede, motores longíquos,
turbina dos aviões que passam a movimentar a terra.
Do micro ao macro tudo trabalha...
O sol é vida de tua natureza
canta no teu tom:
Está igualmente escondido por entre as nuvens
Como tu por entre as minhas
Nuvens estas de saudade e dor
Nuvens que tornam este dia gris
E compõem uma paisagem de chuva em mim
Nuvens que deixam passar tua luz, presença e calor
Nuvens espessas que deixam-me-te vazar...

Mas peraí, por que digo ausência de ti se te sinto?
Que nome posso eu dar a este vazio expandido?
Será então ausência de mim?
Já que me tenho tão para fora do meu eixo de dentro...
O nome disso é saudade?
Como posso dizer ausente um membro que inda pulsa em mim?
Sinto-te latejar por tudo que me ressignificaste
Toda tua vida triângulo perfeito coube dentro da minha tão circular
E porque não dizer viciada
Depois de ti aprendi e decorei como transcender geometrias
Como Deus, que Uno divide-se em três...
(incluse nesta parte podre: o homem).

Eu: natureza, carne e espírito.
Eu: ser de história e de renovação
Eu: ser de medo e de possibilidade
Eu: retração e expansão
Eu: multiverso disperso no universo terreno...

Espero que a vida do meu Eu que te é possa celebrar a tua
E que hoje possemos celebrar a paridade de existências que paralelas se completam
Onde quer que estejas, que minha vida possa ser tua voz.
Siga presente meu doce... ainda que saudade.
Aniversarie-te-me hoje e em cada suspiro meu.

Teu doce de vida, Eu.
Também conhecida por Juliana Ponciri, 19 de outubro de 2010.

domingo, 19 de setembro de 2010

Desaveçando o Abismo (errante vôo)

♫ "Nada sei desta vida. Sigo sem saber.
Sou errada, sou errante
Sempre na estrada, Sempre distante." ♪


Sou estrada.
E paralela a mim, caminho.
Onde hei de me encontrar?
Só mesmo mirando ao infinito eu me uno a mim.
Então peço de alma ao destino:
Infinita-me!

É tarde e volto de uma viagem que não fui.
Queria ouvir música.
Todavia este silêncio grita tão alto que...
Chega de estridências!
Já sou cega de tantas respostas...
Fecharei meus olhos e abrirei o ouvido interno...
Tão desafinada música me habita
Com essa melodia monótona e depressiva
e ao mesmo tempo gritante e desesperada.
Preciso harmonizar-me.
Silencio.

Vaguidão de não-lugar neste espaço mínimo cerrado
Dasabitação. Territórios de não-eu...
Deleeeeeeeeeuze me livre!!!
Latência rizomática que tenta uma forma
Inútil. Tão liqüefeita sou...
Cabe tanto verso nesta pausa que.
Vontade de. e de...
Calo.

Eu me tento e não me saio.
Contraditório. Silábico. Simbólico.
Imanóico. Emanóico. Paranóico.
Disforme. Distoante. Diabólico.
Diadórico. Con-fusão de Rosas
Veredas indecifráveis... vastas, ermas.

Nesta bucolia metanóica desconhecida
Sigo o passo sendo de não ser
Mas é preciso caminhar, quizás navegar
Voar? Ahhhh utopia desta apnéia apatia
Seria tão êxtase poder... e estar.
Em que ato se encontra minha transcendência?
Medito.

Vou me despetalando para tentar renascer maior
Meio girassol tonto de girar
Muita luz ante minh'escuridão!
Ofusco-me, nauseio-me, recuso-me...
Recluo-me.

Fato é que cansada estou deste caminhar sem rumo.
Mas os sapatos gastados pesam menos.
Saber ter me livrado de alguns fardos me sereniza.
Todavia me pergunto: gestaram ou gestarão flores meus frutos?
Primaveras de não veras
Quizás meus frutos foram inférteis
Valem frutos de um flor que se doa seca?
Colore as sementes gestadas sem beija-flor?
Ne sais pas. rien.
Mas eles riem sobre seus rios secos a jorrar
Correndo incansáveis para o além-mar...
Outononizo-me.

Loucura de anos em mim!
Voluptuosidades. Vida que se apressa.
Filme em convulsão
Imagens híbridas e epilépticas
Esqueléticas, irrizantes, esvázio-cheiantes
Múltiplas e coabitantes estações de pele
e de sangue.
Distorço-me.
Estou tonta de mim e meio zumbítica.
AAAAAAAAArrr! preciso regurgitar-me
Um pote de mundo por favor!
Deixa eu me jogar em qualquer abismo.
Cair no centro de mim...
Despenco-me.

Ouço o eco de minha queda que segue.
Passagens... Paisagens... Ausências...
Não sei quando chego e onde chego.
Infinitooooooooooooooo-me pra dentro de fora de mim...
Apenas sou-me. Imagine.

♫ "Imagine all the people
Living for today..." ♪


I'm NOT a dreamer.
And i'm NOT the only one.

Juliana Ponciri, 19 de setembro de 2010.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Chama

Dias de não-sendo... vou morrendo-me por dentro...
E eles vivem lá foras seus argumentos...

Cá dentro eu absorta em meus sentidos entorpecidos
Carregando esta ânsia de vômito nas veias:
Apressadas, apertadas, apartadas
Da volátil pero verdadeira vida que emana leite e mel
Este verbo-berro que vibra em meu sangue
Lateja uma ausência inexplicável
Meu ventre apela uma resposta
Como uma saudade do futuro que eu já tive
Tudo é náusea e vã filosofia
Porém, silenciar é morrer de pausa
Não consigo parar: de escrever, de pensar, de me ser.

À beira da loucura destes desacontecimentos
Sigo um cantar mudo e simulado e sufocado e desfalcado
Que escorrega nas notas fracas e nos tons desajustados
Não há harmonia, equilíbrio ou paz
A banalidade é monótona música de compassos viciados
- Mais do mesmo -

Mas é preciso soar
Qualquer dor latente... em tom menor que seja!
Engatinhando um verso qualquer
Carmim! Como flores! Carmim! Lírios!
Quero este verso! Quero cheirá-lo!
Dizer pro destino caminhando e caminhante: cá estou. Faça-se!

Nestes passos de desassossego
Vã esperança de desesperar o milagre
Já quero o simples
Qualquer singeleza notória que me arrebate
Que surja como a surpresa
Que eu sorria sem saber
Este riso interno que vem de não sei onde
Pelos olhos de não sei quem
Que emergirá não sei porquê
Sabedoria em não saber.

Eu sei que sinto o vazio
Este é o estágio interessante para se preencher
Vazio que cumpre a ordem dos dias
Livro macabro de paisagens mórbidas, áridas, secas
Deserticada estou, tudo é horizonte!
mas não me apavoro, sigo minha expansão até a linha inalcansável
onde eu me encontro
Nunca estou só
É ali na linha do caminho que eu me re-fugio
E que me re-gugito:
Tem horas que preciso me pôr pra fora
Porque o alimento dos dias comuns me embrulha
E quero e preciso ficar desnuda
crua, vaga, animalesca
Assim como a rua de um sonho
Paisagem onírica mutável e inovadora
Onde só toca e se aprofunda neste mistério pode participar
Onde etiquedas não podem entrar, nem serem penduradas.

É isso. Quero me pôr para fora em chamas
Como faz o Espírito Santo.
Ele sim poderia queimar-me em pensamentos
Destroçar qualquer lógica que é minha
e que reproduzo de outrem...
Reinaugurar-me!
Tornando-me gasosa e suave como o vento
Livre e voante
Que quando brincante, dançante, uiva como brisa da tarde
Ser uma ruiva uivante
Alada por dentro
Fóssil plasmado de mil séculos ancestrais! Abraão! Abraão!

Que falta pra tu vires Santo Espírito?
Vinde e faça-se.
Urgentifico-te. Vem!
Lança-te em meu corpo
Alçai em mim o teu vôo
Desintegra-me! Dilacera-me!
Como as árvores no cambio das estações
Trans-forma-me!
Cá estou rendida:
Seja-me-te voz!
Sussurra em mim o despertar da história
Salva-me! Salga-me! Salta-me!
Abismo quero ser
Caia-se pra dentro em mim!
Instaura a química que explodirá esta mesmice.
E fica. Comigo. Pulsante. Presente. Sempre.

Juliana Ponciri, 14 de setembro de 2010.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ode a Ceresia

Muitos chamam-me pedra.
Não. Sou rocha. E porosa.
Rocha viva dialogante. Cambiante.
Permissível ao fluxo dos elementos.
E deixo livre também a heresia
Para fazer nascer a ceresia
- Com bastante calda por favor! -

A ceresia é aquele cuidado especial
É aquele desejo mais substancial
É o retoque final do sorvete
Que está ali dizendo: Eu sou singular!
Então você vai se deliciando do sorvete até chegar a cereja
- Isso me lembra Tchecov -

É o desejo que a faz tão saborosa
Se você simplesmente a come
Ela não tem valor simbólico
Então melhor que mergulhes desastrosamente
em um pote de cerejas MUITAS!
E morrer de dor de barriga depois!

Mas eu tô falando da do sorvete
Do pecado que é ter este tipo de cereja para si
E da saudável delícia que é esperar comê-la
E então pegá-la, alcançá-la, retê-la como teu troféu
E intimamente você se resume à ser boca
E condensa todos os sentidos no paladar
É uma mistura de gula nostálgica e variante
que vai penetrando teu ser e
transpassando sentidos
E vai alimentando corpo alma e gozo
E escorrendo por entre dentes e línguas e salivas e estesias
Até você virar um todo sinestésico...

O mundo moderno precisa da ceresia,
senão tudo se reduz à mais-valia. ;)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Paisaje

Los días me suelen como pajaros agotados del vuelo...
I know that i must do... but...
Hace falta el ánimo - y la ânima - del espíritu
Como si no fuera más fuego, pero si agua
que escurre por mis poros... sin ni siquiera yo sudar...
Oigo la gente, las musicas, los motores de la ciudad...

Oigo tambien mi corazón que late despaciiiiiiito
como un viejo que intenta marchar sin fuezas...

Lo que aniquilame és la hipocresía del mundo
Yo que tan sólo hasta hoy le ofreci la verdad
La demasiada verdad de mi latir, de mi sonreír, de mi soñar.

Sólo le pido a Dios que lo que venga sea como pluma a bailar en el sol:
leve... suave... vals...
Haciendo magica a los sentidos
Trayendo la intensidad de brazos, corazón y alas abiertas
Inaugurando el calor en los días frios
Pintando de alegre color mi alrededor tan gris...

Y para más allá...
no sé... no more. no más pido.
Tan sólo vivo.
Agradezco.
Y voy.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Insônia

Tudo o que sei é que minha carne quer virar verbo pr'eu calar.
Amar, amar, amar...
Meu sangue fervendo rabisca em ti o meu verso
em re-verso,
avesso-me-te.
Quero mais é não-ser.
Basta estar e morrer.
Morrer pra mulher velha do segundo atrás.
Querosonho-me now! ^^
Em silêncio te imploro e não mais peço,
Abriga no teu tempo meu verso.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Porque holística

Ando tão à pele da flor
Me abro, sorrio, libero perfumes
Sou outono e primavera e...
E nada de vera.

Eu devia ser congelada para estudos virtuais
transformar meus espinhos-poros em circuitos elétricos
quem sabe assim eu falasse a língua dos beija-flores modernos...

Só restou eu de natural neste jardim?
Olho o horizonte e seduzindo-me vou...
irrizando-me e...
perco-me...
Já não me sou.
Sendo eu horizontal só o que é natural responde a mim
Veias oceânicas trazem e levam a onda da vida
Minha supra humanidade lateja na quarta camada da pele
esta que se encontra de fora da epiderme
esta tão táctil, verossímil e acolhedora...
ultra-sensibilidade que marca meu pulsar no mundo
e que a cada encontro registra minhas digitais na Criação
pontas dos dedos expandidas tocando o ar
poros estendidos e potencializados
fundindo meu corpo no corpo do mundo
aqui: torre de Babel pós-fermentação,
homogeneidade, unidade e plenitude que cala
porque maior é a comunicação...

Tudo o que cái neste trânsito tem que significar
seja uma moeda ou uma vida
Eu sou hibridamentecorpo universal
vim das estrelas e a luz que brilha no meu gene
é muito maior que eu
e que meu entendimento.
Como explicar aos robôs modernos
minha natureza cósmica
tão bio-lógica, tão física, tão química, tão quântica?
Para que olhos postos para dentro ou para fora se não podes ver?
Evolução que parou e estagnou no estágio visio-lógico.
Quanta cegueira no mundo!

Vivo de escuro porque a trans-posição de meus olhos faz doer
Co(ns)ciente escuridão...
As janelas se fecham para dentro
inverso desse tão fora pequeno
uni-verso intra-estelar tão luminoso
imensurável luz que me inunda
eu te bebo em alimento
sou oxigênio no corpo do mundo
E de tão leve e fundida
é natural meu vôo
Eu: carne diluída em verbo
verborização vibrando unívoca.
E toda vez que me fecho
o sol que mora em mim
anfitrião que anima a ciranda da vida
convidando à reunião onde comunicação é dança
entusiasta maluquinho! menino peralta!
Não consigo controlar esta criaturinha expansiva e agregadora!
Só quer brincar de luzir! rs
E abraça tudo quanto passar em seu caminho! =.)

E sendo eu toda assim Todo
já não posso ser parte separada.
E eis porque quando não te agregas e dança também,
para ti apenas cintilo.
Sou partícipe da Vida Maior,
Se você não vem junto,
Eu não fico.

Te convido.

Juliana Ponciri, 30/07/2010.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Embaçada lente de Freud

Ando tão saturada desta herança Freudiana...
Como diria o João Grilo, saudoso personagem de Suassuna,
Ele só pode ter sido filho de chocadeira! (risos)
Porque em tudo o pensamento dele é machista...
Por isso encaixa como uma luva para o imaginário de nossa sociedade patriarcal.

Eu estava lendo tempos atrás sua biografia,
Relatos retratam que ele sentia repúdio e pavor de sua mãe
E falam em complexo de Édipo e coisas do tipo...
Segundo consta, ele interrompeu a atividade sexual muito cedo em sua vida
por não suportar mulheres...
Uma espécie de celibato forçado (e bem forçoso, a meu ver).

Não bastasse-nos esta herança falocêntrica
Onde a vivência sexual é tomada por causa e não mera consequência
Além de toda esta onda da sociedade cujo materialismo é solipsista, unilateral, voluntarista, contrariando toda e qualquer dialética
Ainda enfrentamos a contradição subjacente do medo e do desafio do auto-conhecimento.

Destas portas e passagens trancadas a nós mesmos
resulta o embate de contradições dilacerantes:
Uma luta entre uma vocação ontológica sensível
e a construção social dos pseudo-valores sexualizantes
(e não verdadeiramente sexuais).

Ora, a abertura para o outro
há de ser antes uma abertura para si e para o cosmo.
É doentio jogar no outro a projeção de teu centro
Abertura e desprendimento não é isso!
Por um lado até entende-se, pois o centro do homem ocidental é na cabeça...
Mas é preciso assumir outra postura, nadar contra a corrente do sistema
Sair da roda-gigante viciada desta reificação homérica que o tempo impõe...

Noto, e para meu espanto, muito recorrentemente
Como determinados hábitos contemporâneos são tomados como normais
As pessoas põe sua melhor roupa e "vão para a night caçar"
E como alguém que vai a uma loja de CD e escolhe ouvir algo para relaxar
As 'vítimas' são escolhidas...
Não! As pessoas podem até ser um "meio"
mas são antes de tudo um fim em si mesmas
Vítimas são os sujeitos caçantes e suas caças
Vítimas desta anestesia dos dias
Desta falta de wake up, de enxergar poesia nos dias, de estesia, de sinestesia, enfim, de sensibilização
Porque conscientes do fazem todos são.

Coisifica-se pessoas e humanizam-se coisas...
O mundo está mesmo fora dos eixos meu Deus!
Como alçar equilíbrio???
Filhos de Descartes, leva-se tudo aos extremos
Sim, por isso vivemos a Era dos Extremos meu caro Hobsbawm,
Não há igual e transcendente distribuição de energia para a compreensão do eixo como um Todo.
O eixo por aqui é sempre uma meta fora de si...

Ou mudamos essencialmente de paradigmas
Ou estamos fadados ao vazio.
Ao EXTREMO vazio!
E não mais adiantarão anti-depressivos...

Sim, meu lindo Buda, é preciso DESPERTAR!
A sensibilidade está adormecida nos homens
E eles falam dela como habilidade desenvolvida pelos PHD's especializados...
Sim! Aqueles com diplomas ou carimbados em carteira A, B, C, D, E , F, G, H de Homem evoluído!
Especialista em condução de gente...
Mas... condução para onde mesmo?
Ilárias contradições...
Para o abismo sem fim! Queda interminável!
Des-eixo! Não-lugar! Crise de "identidade"!
Para tão somente o solitário, frio e irrizante VAZIO d'alma.
Solidão "inconscientemente", freudianamente, eleita.

Mudemos de paradigmas meus caros,
Saiamos desta corrente viciosa!
Humanizemo-nos! Faz-se urgente!

Juliana Ponciri, 26 de junho de 2010, 06:38

domingo, 18 de julho de 2010

Desforme

Aaaahhh este teu olhar!
Sugando minh'alma tenazmente para dentro do teu lugar.
E, estando em ti, e já não em mim
(sensação de não-lugar)
Noto assustadora e repentinamente, a falta de minha sombra.
Dou intermináveis voltas em torno a mim procurando-a
como um cão ao próprio rabo
um peão jogado girando frenética e insadecidamente até o cansaço...
Cansaço este de pensar...
Óh moléstia de pensamento que não me deixa ser!
Apenas ser.
Fico tonta com este mundo a girar e girar e girar...
Meu espírito se confunde com a roda...
E seu ritmo diverge do que a alma anseia
(ou pelo menos do que era orgânico em mim)
Instaura estranhamento, des-posse, medo...
Medo de pensar que pode ser
Medo de pensar que pode não ser...
Arre tola dúvida é NADA!
Pois futuro não existe.
(...)
Mas enquanto isso o presente martiriza-me
Você... presente. sendo-me-te presente...

AaaaHhh o teu abraço!.. laço tão seguro! ^^
Momento em que a coisa é. Apenas é.
Resume-se em si mesma e explicação é exagero, excesso, desperdício.
Ahhh este teu elo atando meus abismos...
Arre que ódio deste gozo que me cala, me embobece, me empo. me enriquece!
E se te alerras mesmo que por dois passos
Perturbação insuportável de sentidos
des-sentidos
desnorteados
desuados
descentroestezados
geografia enlouquecida
campo descampado
mapa fervil destampado
vazando o calor da fervura de meus poros eriçados
alma vazando...
des-gelo...
E meu olhar segue acompanhando-te enquanto gotejo vazios
ping. ping. ping...
Esvou-me... lentamente...
de sólida a líquida
que líquida vai secando, minguando, irrizando... te esperando.

Rápido! Volta ao meu abraço que minh'existência está por um fio
Ou melhor, está por um sopro
um vento leste já se aproxima
Corre! Voa! Vem!
Presentifica-me-te já!
Paz. Pulso. Vida... Ar!
Fica.
Me faz vida. Me faz viva. Me faz mar.
Amor.

Juliana Ponciri, 18/07/2010 (a meu Oleiro)

sábado, 3 de julho de 2010

De tus ojos

Ayer te besé en los ojos.
Fue la primera vez que he besado ojos.
Generalmente las bocas con hechas pa besar.
Pero por tus ojos he cambiado la geografía del cuerpo.

Tus ojos se me llevan el alma...
mientras te miro la siento salir
despacita... volando como un angel al encuentro del cielo.
mi alma: pájaro sin alas que sólo por tu aire-ojos sabe volar.

Desde que mi alma ha conocido tus ojos
y el extasis de sentirse alada
no marcho más por el suelo
ni tampoco sé cual fecha figura alrededor del sol
si cerro mis ojos, sea noche o sea día
sólo veo estrellas luzindo tu verdad
y haciendo cosquillas coloridas
si, color sonrisa
la más bella que hay
conocida solamente después del arco iris.
dicen que todo el azul, el verde y más allá
son colores del mismo arco iris
¿pero que decir de tus ojos?
tus ojos son oro que subverte todas las colores
tesoro grandioso que Dios ha guardado pa los electos... yo.

No sé si merezco tus ojos
no sé si merezco el alma que sale de tus ojos
y el fuego que ellos se me dan
no sé si merezco la fuerza con la cual ellos abrazanme...
tus ojos de paz... me estan causando tanta guerra...
no sé que hago: no duermo, no como, no paro de mirarte
no! si! no! un llevar y traer de ojos...
los días pelean conmigo
me queren quitar tus ojos
pero no puedo dejar! y no a dejar!
sólo existo de verdad cuando estoy en ellos
sitio tranquilo y ajeno a la maldad
lejano desde aquí o de cualquier ciudad
paraiso donde ubican mis sueños

No. no voy a quitar tus ojos de mí!
hasta que te ciegues del brillo que ellos me llenan...
Y quizás asi te tendré al revés: carne cruda y nueva y lista
amandome en la oscuridad de ti mismo
- que és donde más se puede ver - .

No. No voy a quitar tus ojos de mí!
Mientras exista, voy a mirarte todos os días!!!

Juliana Ponciri, a mi alfarero. 03/07/2010 (nacimiento de mi pequeño Heitor)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Do Gosto dos Dissabores

Onde eu penso reverbera.
Talvez por este fato eu tenha retorno de vida.
Mas no mais, no more.

Anda tudo tão mecânico.
Meu café com leite nem amarga mais:
tenho en-tornado os sabores da vida
que de já tão meus nem os sinto mais.

PERIGO! A mesmificação dos dias arranca-nos da vida!

en-tornar, con-tornar, sem-tornar!
tenho medo da fusão das coisas:
o mundo e tudo vai perdendo a identidade...
Aquele discurso que proclamam lindo
"amor é quando dois se tornam um!"
Tudo con-fusão!
Quando a bíblia diz: "e serão uma só carne"
há que se questionar o sentido de "carne" na bíblia
"e o verbo se fez carne"
ou seja: o espírito se HUMANIZOU.
A identidade espiritual busca a harmonia e o equilíbrio da carne.
Eu definiria amor como estar juntos olhando para a mesma direção.
e não con-fundidos em um mesmo caminho.

Amor e identidade abarcam a diferença.
Os países proclamam em altos brados "a identidade nacional"
que muitas vezes é a supressão de vozes e forças minoritárias.
dizem que todas as cores combinam no escuro
penso então que é um ponto cego o lugar onde se iguala tudo.
fórmulazinha para obter identidade:
junte todas as porções das mais diferentes formas, texturas, sabores
e bata tudo no liquidificador!
leia-se liquidificador o poder hegemônico.

Arre! estou farta de pseudo-identidades!
e de pseudo-amores!
Eu NÃO amo a minha profissão se eu tenho que pensar e agir igual!
Sinto-me arrastada pela avalanche do sistema!
A política de todo amor há de ser a liberdade oras!
como se já não bastasse a repetição insistente
das rotinas do corpo
agora esse pensar unívoco e mecânico de dogmas de Arlequim
melhor, dogmas de Brighella,
querendo farsear a minha vida!
Não acho graça em burlar a mim mesma!
EU GRIIIIIIIIIIIIIITO! NÃAAAAAAAAO!!!

Apenas quero reter o mel de minha vida
enquanto ele me escorre suave por entre os dentes.

Juliana Ponciri, 22/06/2010.

sábado, 19 de junho de 2010

Fantamas da Madrugada

"Quem me leva meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
quem me diz onde e a estrada?"


03:20 de um dia qualquer desta vida.
Pessoas transitam por mim... quantas!
Todas tão iguais: na mesma cor, no mesmo ritmo, no mesmo discurso.
Sim Renato, é pois "sempre mais do mesmo"...
E me sobra o tédio, o vácuo, o caminho a esmo.

Eu não consigo rir do que não conheço.
E os rotúlos sufocam-me: "levo a vida a sério demais!"

Estamos vivendo em tempos perigosos
Há que se ter cautela e respeito nas relações.
A era do imediATO (in-medi-ato, no meio do ato)
e sempre mediado...
de tanto pseudo valor, tanta pseudo anarquia, tanta pseudo liberdade...
é no caminho do ato que todos ficam presos
imersos na pronta, oportunista e voluntária solução-ilusão
tão prática de que se chegou a algum lugar
paleativo-anestésico tão necessário dos dias atuais
sonífero-paraíso vendido em lojas virtuais
pão e circo pós-moderno
garantia de "todos iguais"
igualdade garantida pela lei do carnaval
hay de ti se fugires à esta lógica!
o poder te perseguirá e não o deixará mais dormir.
e você cái no mesmo lugar dos outros:
A PSEUDO-VIDA.
E morre na praia tentando evoluir para o REAL.

Ninguém escapa à torrente que move o mundo
vulto incansável a assombrar nossas noites...
E vez ou outra você se entorpece para não cair no abismo da loucura
Sim, a realidade enlouquece os seres racionais
Ahí a gente cria cultura, símbolos e signos
Para garantir a "ordem, harmonia e equilíbrio"
Ahí a gente cria a arte
Para garantir o gritar selvagem de boas doses de lirismo
e a gente chama a isso arte e acha bonito e aplaude
pq sabemos que o espetáculo acaba quando a luz se apaga
No fundo todos sentimo-nos aliviados pela "segurança" da ordem
Nos permitimos o breve movimento das artes
para dizer ao Cosmo que aprendemos que equilíbrio também nasce do caos
(risos)
e a gente finge que ousou chegar ao caos
e a gente finge que vive no cosmo
e a vida é uma anedota que contamos a nós mesmos.
porque nunca se é inferno e nunca se é céu
não que tenhamos passado verdadeiramente por eles
para finalmente conseguir a sinfonia Yin-Yang,
Mas a gente faz teatro,
e a gente dramatiza a vida e projeta
e a gente finge que EXPERIMENTOU
mas todos sabemos que ainda estamos no in-medi-ato
no espaço ENTRE
ali no lugar da não-ação
mas como somos criativos, inventivos e joueres
a gente se contenta ahí com este "lugar seguro"
onde inclusive a gente finge que TRANSITA.
Na verdade penso que o trânsito do horário de pico das grandes metrópoles
é uma metáfora bem precisa deste lugar-estado
você é o motorista:
sozinho em um carro, parado e olhando o movimento do mundo.
movimento este também um tanto quanto engasgado...
chamam de ENGARRAFAMENTO.
se você está no lado de dentro é um licor
e se está do lado de fora é rótulo
mas como sabemos que a garrafa é você
e que não importa a mensagem que traga dentro
a maré sempre vai te levar
só te resta DEIXAR-SE BOIAR
e a expressão popular que se encaixa perfeitamente em você
que está "boiando" às margens da própria vida.

Eu não durmo.
Rio vez ou outra.
Não sou azeda ou amarga.
Sou sensível e doce.
Sou forte dentro de uma fragilidade não permitida.
Porque sou subversiva.

E eu sei que ninguém se importa com nenhuma de minhas palavras:
caladas ou proferidas.
Cada linha é dedicada ao meu universo paralelo...
A utopia de que citou um amigo
julgando-se ridículo e desconfortável
por proferir romantismos desusados
enquanto separava, "ordenava" e engavetava conceitos de mundo e pessoas.
óh sim meu caro amigo
todos somos ridículos e sonhadores
jogamos para fora nossos fantasmas, dúvidas e angústias
para unicamente voltarmos mais inteiros a nós mesmos...
porque só consegue dança aquele que se movimenta
e isso é vida. E independe de outros.

Juliana Ponciri, 20/06/2010, 04:18 tic tic tic
e o cursor ainda cursa...rs


PS. A seleção brasileira de futbol joga daqui algumas horas em busca do título de hexa campeã da copa do mundo: arte, ilusão e UTOPIA de honra, respeito e identidade...

CELEBREMOS, POIS, LEGIÃO:
http://www.youtube.com/watch?v=tJ4Epvl0zjE

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Latência

Lacerou-me agora uma saudade de nem sei quê...
Saudade... palavra tão carregada de mito, ausência, sentimento, sentido...
Sentindo-me...
Sentir é pensar?
Acho meu corpo tão filosófico... metafísico.
Ele questiona, reclama, supõe tanta coisa.
Ele não conhece o não.
Para ele não existe obstáculos,
e, nisso, ele transcende o meu pensar.
Meu corpo é Deus.
Porque ele é o verbo primeiro e último.
Alfa e ômega.
Meu corpo desconhece o não-verbar.
Não existe não-ação, inércia ou mesmo dúvida nele.
Ele já é sendo.
E comunica.
Mas eu sou tão iverossímil, tão projeção de não-mim
que leio todas as línguas, menos a dele.
Que me sabe mais que qualquer ciência, arte ou filosofias.
Eu não sei ler onde nasce a saudade, e do que é.
Meu desejo era mapear e sana-la num gole qualquer de nostalgia.
Cobrir-me do véu de Maia neste inverno de Brasília.
Noites frias... e as paredes mais ainda.
Caramba! eureka! a saudade nasce no corpo de fora.
Extensão dialética deste mesmo que agoniza de não-porques.
O som da saudade é forte. E livre.
livre som... reverbera para além do mensurável.
Sinto na pele sabor de passado.
Divago na vastidão de meus breus.
Acho o brilho da lua por companhia.
Coxa saudade que faz mancar des-linha que Moira alguma rabisca.
Sinto-me estúpida se transito para a outra margem: futuro.
Eu não perdoo as verdades que meu corpo denuncia.
Eu o sei sábio e, o respeito.
E por amor te preservo, te reservo, te reverso.
Avessa à minha - que é tua - própria vontade.
Tu, óh corpo, nasceste pra vida maior. É o recado que me deixas todos os dias.
Miro tua perfeição e possibilidade e rendo-me.
Verbo-carne sendo. mantendo. transcendendo.
Não me importo que brigues comigo corpo.
Eu não te mereço.
Só peço que o movimento de vida
que dança onipresente, oniciente, onipontente, onidirecional
jamais falhe em seu pulso.
Que seja latente, tudo.
Que seja latente, meu mundo.
Que seja latente... ainda que saudade.

Juliana Ponciri, 18 de junho de 2010, 03:03hs.

terça-feira, 8 de junho de 2010

É... este é o mundo, raimundo: um absurto.

Às vezes o mundo nausea-me desnorteadamente.

É madrugada.
A fadiga e o peso da luz amarela e articifial sobre meus olhos,
O som do motor da geladeira na cozinha,
O tic-tac do relógio na sala,
O cooler do computador no quarto...
Não há saída: para onde quer que eu fuja
a artificialidade do mundo vêm atrás,
como uma sombra da tenumbra de me ser.

Isso estressa meus sentidos
Minh'alma quer pular desesperadamente do meu corpo
Em busca de um verso, de uma rima, de uma VIDA! aaaaaaarrr!

Eu grito pra dentro aquilo que não silencia
Meus dias instauram em mim a agonia.
Chamo a isso de desvida,
Pois é a ausência de tudo quanto é vivo e autêntico em mim.
Talvez o inferno de que Boff falava...

Eu até que podia entorpercer-me como todos o fazem
de alcool, maconha ou mesmo de sono...
mas NÃO.
Sigo aqui inevitavelmente acordada,
Teoricamnte desperta pro mundo e pra mim
Ouvindo, ainda que com considerável esforço,
o correr do sangue amarelo em minha veias
e o disrítmico pulsar do meu corpo-agonia que bradeja socorro...

Ahhhh sonhar sempre é bom... ^^

Vida nova seria encontrar teu corpo no nosso abraço
inaugurando denovo a energia que gera paz
a renovAção de tudo quanto é velho e desusado em mim...

Vida nova seria ouvir uma estrela,
os grilhos ou
um cachorro em latidos longíquos...

Vida nova seria ouvir a brisa da noite em seu canto magistral
convidando as folhas das copas das árvores prum balé...

Vida nova seria sentir o movimento do universo
pr'eu saber que inda estou VIVA.

Quero brincar de mundo, de existir...
Cadê você que não me encontra pr'essa valsa?

Juliana Ponciri, Bsb, 09/06/2010, 04:01.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Oração a Mim Mesmo (Oswaldo Antônio Begiato)

"Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos e chorar menos.
Ver nos olhos de quem me vê
a admiração que eles me têm
e não a inveja que prepotentemente penso que têm.
Escutar com meus ouvidos atentos
e a minha boca estática,
as palavras que se fazem gestos
e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.
Saber realizar os sonhos que nascem em mim
e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhos.
Então, que eu possa viver os sonhos possíveis
e os impossíveis,
aqueles que morrem e ressuscitam a cada novo fruto,
a cada nova flor, a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia.
Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar, sonhar o amar.
Que eu me permita o silêncio das formas, dos movimentos,
do impossível, da imensidão de toda profundeza.
Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque,
pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental.
Aquela oração que a alma cria
e que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde.
Que eu saiba dimensionar o calor,
experimentar a forma,
vislumbrar as curvas,
desenhar as retas
e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida.
Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos
fazendo-me parte suprema da natureza,
criando-me e recriando-me a cada instante.
Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão,
que em vão não sejam minhas dúvidas.
Que eu saiba perder meus caminhos,
mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo:
Que eu não tenha medo de meus medos!
Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis
e desperte com o coração cheio de esperanças.
Que eu faça de mim um homem sereno
dentro de minha própria turbulência, sábio
dentro de meus limites pequenos e inexatos, humilde
diante de minhas grandezas tolas e ingênuas
Que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas
e o quanto é valiosa minha pequenez.
Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso, ser órfão.
Permita-me eu ensinar o pouco que sei
e aprender o muito que não sei,
traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências.
Que eu respeite incondicionalmente o ser,
o ser por si só, por mais nada que possa ter além de sua essência.
Que eu auxilie a solidão de quem chegou,
renda-me ao motivo de quem partiu
e aceite a saudade de quem ficou.
Que eu possa amar e ser amado!
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando recebo carinhos
e fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas.
Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só.
Amém!"

terça-feira, 11 de maio de 2010

Curiosidades...

POEIRA DAS ESTRELAS:
http://www.youtube.com/watch?v=hw2wUkrMsx4&feature=related

segunda-feira, 19 de abril de 2010

RESTA

E eu com tua voz escondida no inconsciente
Te perseguia nas canções inabitadas de meus vazios
Nos silêncios eloqüentes de meditações necessárias
Na transcendência das coisas que vivem em mim e que buscam teu nome
Eu te buscava na ausência das palavras
- Momentos de não-eu -
Eu te exaltava no meu canto, no meu pranto, no meu tanto
E ainda assim você nunca sobrava
Você faltava como uma falta de ar
- minha flauta de ar –
Harmonia plena vivida de nada
Distante de qualquer coisa alcançável...
Eu não sei dizer teu nome
E nem porque me habitas
Mas me invades e és sublime, latente, expansivo
És minha poesia
Eu não te entendo, e, não me desentendo por tal fato
Sou feliz no mistério
E o ininteligível também pode ser pleno
Sei que me contradigo ao dizer isso sendo eu assim demasiado racional
Mas o teu brilho não ofusca nada em mim
E vai além fazendo-me luzir saudades
Acho que tenho fome de ti
- Como numa pausa de domingo –
Suponho que preciso-te dentro a mim
Suave, pero não menos voraz
Clarinete, pero não menos intenso
Fogo, pero não menos água
Susto, pero não menos calma
Riso, pero não menos lágrima
Deserto, pero não menos chuva
Inverno, pero não menos sol.
Venha-me como outono e outorga tua lei em mim
Estou pronta pro gozo
Este é meu pedido de casamento:
Me faz vida com tua vida em mim.

Juliana Ponciri, 19 de abril de 2010.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Atemporalidade BrasÍlha

Já sinto o cheiro-adeus do dia
A noite me toma desvairadamente
Intensifico-me tua
E quando me percebo já fui.

Natureza de sombra
Acho que sou meu próprio mistério
Vivo da noite tentando desvendar-me

Mas quem vendou meus olhos?
Quem velou minha vida?
Quero me re-velar de mim

De quantas eus se faz uma Juliana?
Outrora confiante me cria “a coisa em si”

Sou cheia de não-lugar
Como os brinquedos legos
Como a casinha da Barbie
Como 18hs nos varais dos ministérios

Sou Brasília em essência também:
Vasto plano desabitado
Espaço que estica o olhar pra dentro
Cheia de caixinhas onde se guarda nada
Empilhadas cerca uma das outras e tentando equilíbrio...

Meu passo é lento, suave e não forço o ritmo
Temo estremecer um a caírem as demais peças:
Dominó de saudades e vontades aquém

Eu ia no planetário para imaginar cosmos quando criança
E quando grande o meu susto:
Me enfiaram um planeta no meio da praça!

Isso às vezes me dá náuseas
Mexe com as dimensões dos meus sentidos
Agora tão mais expostos!

Acho que a arquitetura do meu cérebro deu um nós de mins
Sinto-me uma cartografia aberta pro infinito
Culpa de Niemeyer louco e universal

Todo brasiliense já nasce poeta
Porque nasce com o olho torto para dentro
O olho que alonga tudo: máxima extensão de fora
Ahí quando sozinho: máxima extensão de dentro

Tudo em Brasília é abismo
Fico abismada com a disposição organizada das coisas
É como se o tempo tivesse parado no relógio
Quero chacoalhaaar e bagunçaaaar!!!

E nas noites, tenho impressão que Marte ouve minha respiração
Também de noite tudo é organização, melhor, não-orgânicAção
Bonequinhos cumprindo tabela e batendo ponto
Todos dormem no mesmo horário na casinha do ken-ninguém
- Sim! Falo do Fernando (o Henrique)-
Desantenados das vírgulas necessárias à harmonia do texto...

E eu que caótica sou, me nauseio
Ainda bem que o céu nunca é o mesmo
Ele bagunça tudo por mim
Põe as coisas tudo fora de lugar

Ahí sinto que ele me devolve o ar...
Breath! Breath!
Regurgitofagia cardíOCO-pulmonar
Que me toma e me refaz.

¿E quando as nuvens me carregam para si
Fazendo-se minha extensão em forma de asas?
Ohhh me elevo e me divinizo...
É minha gota de movimento e de vida
Todo pôr-do-sol em Brasília é salva-vidas!

Da janela destas minhas 18hs
Vidas se aprontam para voltar
E a lua brinda nossas pseudo-vidas

Às margens deste espetáculo
Contemplamos na praia desta sinestésica nostalgia
A ilusão de que somos livres.

Juliana Ponciri

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

João - bobo vacilante

Lá estava eu denovo entre os descalços do persurso...
Vou. Porque preciso ir.
Tampouco sei dizer porque me faço precisar.
Mas preciso.
Quero no corpo a resistência que tenho no espírito.
A coragem e a certeza nas respostas.
Vou por entre a poluição gasosa, sonora, imagética, energética.
Vou comigo. Não sáio sem mim.
Hoje um jovem concurseiro me acompanhou.
Não estava nele. Sua energia era boa. Mas estava em mim.
Minha morada não é de cimento. É de matéria cósmica.
Mas eu sou acessível.
Corria e vez em quando respondia-lhe gentilmente em monosílabos.
Eu gosto de me alimentar de sonho.
Enquanto eu o ouvia, e,
nisso confio mas no que ouço do que no que vejo,
eu divagava sobre a vivacidade de idéias e ideais que eu tinha nesta idade...
Eu me renovo. E respeito, não posso destruir-lhe com meu realismo repugnante.
E vou...
Correr em dias frios é desafiador.
Me dóem os ouvidos. olvidome!
Como um soldado do tango vou cumprir a meta de minha dança interna.
Sigo. Sou. E vou.
Mas adiante, os olhos ardem. Os fecho.
E Vou.
Percorri mais da metade do que o outro dia. Quase o dobro.
Pra amigas que forem correr lembre-se:
Calcinha pequena entra lá... e as normais roçam a virilha.
Então, ou peguem a cueca boxer emprestado do teu namorado,
ou vá sem calcinha. Melhor que ventila! rs...
E Vou.
Tenho que frear meu ininterrupto pensar.
E policiar minha sobressaltante capacidade mimética.
Não olho aos lados, mesmo que olhe, meus olhos são sutis.
Meu passo é preciso. Sinto minha articulações, meus tendões.
Ouço a resposta que ele me dá.
Tenho olhos para dentro e para trás.
Os adolescentes mexem comigo, e eu digo: "diz-me meu rapaz!"
Eles assustam. Nada mais banal, o mundo já me assustou também.
Hoje eu perdi um pouco a dimensão do medo, e, talvez, da ansiedade.
Não gosto quando homens como C. passam por mim e despertam ternura.
Eu entrei para o teatro tempos atrás acreditando no belo e na sensibilidade.
Eu embruteci. Por conta do teatro e por conta da vida.
A arte como a vida são para os fortes.
É jubilar a verdade de dentro na vergonha de fora.
É ter coragem ao grito! de gozo, de dor, de amor (igualmente dor tb...rs)
É muito cômoda a atitude impressionista. Não digo a timidez verdadeira,
que é um misto de inocência, medo e não-lugar/não-tempo...
mas o impressionismo que é doença impregnada na sola da garganta
um câncer que vai se formando da vertigem do ego
um nauseamento de formas e medidas desmedidas que acovardam o caráter e o espírito.
Eu penso na ex-pressão dos bêbados...rs Eles são livres!
(como meus radicais livres... ai câimbra! rs)
AbsurdaMente livres! AbusivaMente livres! ...e fracos!
E eis que o expressionismo vem para os corajosos como o não-limite aos sonhadores.
E agradeço aquele jovem ter com-part-ilhado sua vontade comigo.
O mundo como vontade de representação...
Ai Schopenhauer, meu rei Arthur que torna minha terra, ops, távola tão redonda...rs
Quão dilatante é minha mensuração ante à tua nobreza de idéias...
a VONTADE é o princípio fundamental do movimento do uni-verso...
e o desejo de não-desejar torna a coisa ainda mais desejante...
Eu gosto da brisa no rosto.
Não mais pensarei.
Vou.
Fui.
Irei.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Da Filosofia do Passo

Samambaia, 22 de janeiro de 2010...

Tarde. Fim de tarde.
Penso, divago, crio...

Desde de abril passado que estou num sedentarismo satisfeito
Mas hoje eis que ele irrompeu-se rebelde e insatisfeito.
Mirando a janela mesmice de meus dias
Ouço os ecos de discórdia gritando-me aqui no peito...
AGONIIIIIIIIIIA!!!

Quase se completa um ano desde que saí da academia de minhas noites e madrugadas corridas
Entre fragrâncias de carnes, cigarro e medo de solidão no esmalte dos sorrisos foscos
A lembrança das horas cheias, a lembrança da vida vazia.

No bolso, pesa a falta da abundância. No corpo, a falta da resistência.
Na mente leve, calma e desperta, ainda flutua a certeza de saber que aquele não era meu lugar.

Adoro este estado não-arrependimento de viver! Sinto um gozo supremo dentro de mim. (rs)

Hoje resolvi CORRER.
Saindo, dirijo-me a meu irmão: “Bora correr Leco?
Ele: “Correr de quem?”
Eu: “Da vida! Ela teima em me impor medidas.” (rs)
Ele: “Então vá rápido magrela, porque senão ela te pega!”
(Odeio a segurança com que todo virginiano fala! rs)

Vou caminhando e tentando acelerar aos poucos.
Já faz alguns anos que aprendi meu corpo, alma e espíritos.
E, apesar de hoje saber meu ritmo, suas propriedades insistem em vacilar.

Sou tão volátil que tenho medo de mim.
Nitroglicerina.
Temo as reações para mais ou para menos.
Teimo um pseudo-equilíbrio.
Estudo os estímulos externos para isso.
Sempre erro os cálculos.
“Dou com os burros n’água” rs...
Os mesmos burros que “morriam na praia” na época do Brasil Colonial... rs

O importante é não esquentar com estas variantes.
Me permito.
Vou tranqüila e serena.
Eu me sinto.
Sentir é saber.
Ouço-me: dentro e fora.

Ouço a sinfonia de minha respirAção e de meus passos:
peso, volume, forma, ritmo, pausa, textura, cor, dimensão de planos...
Vou equiparando tudo e perguntando a meu ser se o sabor e a temperatura lhe agrada.

Sei que não sou mais tão forte. Por isso RESPEITO-ME mais hoje.
A fonte que nutria minha força partiu no dia 23 setembro de 2008, e não volta mais.
Não neste plano. Preciso transpor esta dor e esta etapa.
Sobrepor a velha Juliana, derreter os cacos que sobraram para nascer-me de novo.

Eu: cinzas de sonho, brisa de horizonte, nada sobre o pó.
Preciso reerguer-me, reinventar-me, reconstruir-me
com o tapa na cara que levo do Sol todas as manhãs.

Dó ré me faz solar. Inflama-me dia com teu poder!
Não tenho tempo para passado e lamentações.
Quando Hélio pensa que vou fugir, sou mais ousada que ele
Viro a outra face e a bunda e lhe digo:
“Venha e fortalece-me!”
Seu calor gosta do sábio e seguro contraste do pompuarismo de minha noturnez! rs...

Mas Hélio às vezes se esquiva de mim!
Hélio prefere a clareza das nuvens à densidade de minhas cores soturnas.
E por vezes deixa-me à deriva do meu vacilante gris.
Penso que rle prefere o comodismo à intensidade da noite corujosa! Medroso!
Mas não posso brincar com Hélio, ele é imprevisível.
Por vezes ele prega-me sustos, e, desprevenida, ofuscada e nauseada
desintegro-me por mau de luz!

Mas voltando ao CAMINHO, eu encontro uma majestosa árvore.
Paro para alongar. E, tateando-a, lhe digo: “Obrigada por existir!”
E re-torno o solfejar dos passos: um atrás do outro, o outro atrás do um.

Passo. Passear. Passo estar. Passo ser.
Ainda não estou pronta. Não consigo focar só nessa dinâmica.
DispersAção do pensamento afetando o eixo da plenitude...

Raios do pulso celestial irrompem meus sentidos...
Tá virando noite. E choveu. Tá frio. Ouvido dói.
Alunos? Putz! Vontade de ser transparente! rs...
Embranqueço-me dia pós dia, mas ainda não consegui esta façanha... rs
Sorriso amarelo de cumprimento e vontade de ser estranha. (...)
Passou. Passo vou.
Junto-me à meta e ao dióxido de carbono.

Frio na pele e no ouvido... me olvido desta sensação.
Não pensa Juliana! Segue!

Brasília de janeiro continua linda! A natureza me abraça.
Gosto de frio. O som ecoa mais, porque as pessoas e a natureza ousa silenciar.
O pulso de dentro destimida-se, ouço mais forte minhas sinfonias.

Vacilos no sangue e na alma...
Não estou pronta mesmo! Raios! O pensamento não pára.
Escorro entre os dedos do tempo e não sei. Cheiro de não-sei.
Filosofia de correr. Ano do Tigre Juliana! Avante!

Meu olhar fotográfico me perturba:
Quando miro dentro. Quando miro fora. Minha clara câmara escura!
Ohhh Barthes! Tapa-me os orifícios do pensar!
Ambrosia esta dissonante orgia de metamorfoses em mim!

Cores, cheiros, vozes, pessoas... God!
Homens, mulheres, crianças, cachorros, ruídos, ruínas... Construções.
É muita semiótica pro meu caminhozinho!

A guria elogia minha barriga depois de 10 meses de sedentarismo!
Como dizer-lhe que EU NÃO SOU O QUE ELA VÊ?!
Não sou o que eu projeto. Seja lá o que projeto!
Sou o que faço. Ponto. Melhor, vírgula.
Melhor, reticÊNCIAS...

O caminho me espera. Me impera!
NÃO PENSE! AVANTE! AVANCE JULIANA!
Pense passo. Seja passo!
O PRIMEIRO DEPOIS O SEGUNDO.
UM ATRÁS DO OUTRO.
E O OUTRO ATRÁS DO UM. ^^

"DISCIPLINA É LIBERDADE!"
DISCIPLINA É RESISTÊNCIA! ;)

Para ler o meu pensar... (tipo: "Para gostar de ler" rs...)
http://cesarkiraly.opsblog.org/files/2008/09/a_camara_clara.pdf

domingo, 17 de janeiro de 2010

“Bela esta manhã sem carência de mito
e mel sorvido sem blasfêmia. Bela
esta manhã ou outra possível
esta vida ou outra invenção
sem, na sombra, fantasmas.

Umidade de areia adere ao pé.
Engulo o 'LAGO PARANOÁ', que me engole.
Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz azul
completa sobre formas constituídas.

Bela a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.

Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo repletA.”

Drummond

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

La escritura del TIGRE

Y ocorrió que he vuelto a charlar con una parte olvidada de mí...
C. ha llegado en mi vida trayendo en el fulgor de sus ojos un rasto de paz que yo tenía años lejanos de esta que soy hoy...

Con la nueva color, se me re-surgió BORGES, el Jorge Luís...
Él tiene llenado mis dias de MISTÉRIO... "El mistério de los Tigres", en el AÑO DEL TIGRE...
Y dice:
"Un hombre se confunde, gradualmente con la forma de su destino;
un hombre es, a la larga, sus circustancias."


Siempre he creído en la tranfiguración del hombre en divindad... Hubieran privilegiados y pocos momentos en mi vida en los cuales yo, tan pequeña y mortal, tube la certeza de que respiraba con el pulmón del universo... UNA. Disipavanse las diferencias, los elementos todos... TUDO ERA TODO. (e aqui faço uso do português necessariamente) Ocurre la instauración de un no-tiempo y un no-lugar... un estado de suspensión... Y, en mi humildad, se me preguntaba... ¿que pasó acá? Desentendimiento.

És increible la capacidad que él tiene de describir todo con imagenes... davero uno puede sentirse "todo poderoso" en estos momentos...
pues que esta fuerza se despierta el dios que vive en nosotros... el BIEN SUPREMO se hace. y todo conviertese en plena armonía: EQUILÍBRIO.

"Entonces ocurrió lo que no puedo olvidar ni comunicar.
Ocurrió la unión con la divinidad, con el universo (no sé si estas palabras difieren).
El éxtasis no repite sus símbolos;
hay quien ha visto a Dios en un resplandor,
hay quien lo ha percibido en una espada o en los círculos de una rosa...
Yo vi una Rueda altísima, que no estaba delante de mis ojos,
ni detrás, ni a los lados, sino en todas partes, a un tiempo.
Esa Rueda estaba hecha de agua, pero también de fuego, y era (aunque se veía el borde) infinita.
Entretejidas, la formaban todas las cosas que serán, que son y que fueron,
y yo era una de las hebras de esa trama total.
y Pedro de Alvarado, que me dio tormento, era otra.
Ahí estaban las causas y los efectos y me bastaba ver esa Rueda para entenderlo todo, sin fin.
¡Oh, dicha de entender, mayor que la de imaginar o la de sentir!
Vi el universo y vi los íntimos designios del universo.
Vi los orígenes que narra el Libro del Común.
Vi las muchas montañas que surgieron del agua,
vi los primeros hombres de palo,
vi las tinajas que se volvieron contra los hombres,
vi los perros que les destrozaron las caras.
Vi el dios sin cara que hay detrás de los dioses.
Vi infinitos procesos que formaban una sola felicidad y,
entendiéndolo todo, alcancé también a entender la escritura del tigre."


(estupendo! transcendente! mágico!)

PS. Aunque Borges quiera ser el nuevo Jesus no voy a prestarle culto...kkk
pues que hay miles de Borges, Jesus, Gandhis, Budas, et cetera mente... dentro de cada semente que somos. ; )

Para ler mais...

http://www.apocatastasis.com/la-escritura-del-dios-jorge-luis-borges.php#ixzz0cXmGkqya

domingo, 10 de janeiro de 2010

2010 diálogos entre a Coruja e o Tigre

Segundo o horóscopo chinês, 2010 é o ano do TIGRE.

O Tigre simboliza o poder, a paixão e audácia. Eles inspiram admiração, mas também temor. Personalidade vivaz e impulsiva. Natureza desconfiada e impaciente. Humanitário, intenso e desafiador. São criaturas charmosas com muito talento e beleza. Inteligentes, divertidos e confiantes. São líderes naturais. Energéticos, cheios de determinação, otimismo e energia, tendem a pular antes de olhar.

Alguns estudiosos dizem que o signo ocidental correspondente seria o meu: AQUÁRIO (impetuoso, espontâneo, intenso e total) mas nasci em hora correspondida ao traquilo, justo e fiel CÃO (libra no ocidente).

O calor impetuoso do ano do tigre, deve ter um efeito de limpeza e purificação em todos nós. Tal como o calor intenso é necessário para extrair metais preciosos de seus minérios, assim também o ano do tigre pode trazer para fora o melhor que existe em nós. Período para aquecer o coração e deixar exalar as propriedade paradas de nossa alma... deixar vir à tona nossa ESSÊNCIA com o que de bom e mal há nela. RE-NOVAR-SE. Período de grande espiritualidade.

Impulsividade versus Planejamento...
Lógica versus Emoção...

É... o tigre já chegou forte mesmo... Yang (princípio ativo, masculino, diurno, luminoso, quente) dominando o racional Yin (princípio passivo, feminino, noturno, escuro, frio)...
Será que é a hora de deixar a maternidade coruja e assumir a voraz paternidade tigresa do fluxo de minha vida? Não dá pra ficar escondendo o mundo debaixo de minhas noturnas, gentis e filosóficas asas... Hora de avançar, morder e depois dá umas lambidas...rs Mas sem vi-olência... =P

VIVER SEMPRE COM FIRMEZA NA DECISÃO
E SUAVIDADE NA AÇÃO. =)

Para saber mais...
(Dicionário de Símbolos, Jean Chevalier/Alain Gheerbrant, Editora José Olympio, 1992)
http://www.hoops.pt/astrologia/tigre.htm