sábado, 11 de março de 2017

Da carência que não alcanço

De um modo geral sou auto-suficiente.
E não vejo problema nisso.
Mas o mundo me acha antissocial.
É que eu preciso de algo mais interessante do que minha própria companhia!
Há muitas em mim as quais descubro todo dia e amo.

Me enfada pessoas comuns máquinas massa.
Bem como me enfada o excêntrico carente.
Não aceito intenções mal resolvidas
Cabeças e corações mal resolvidos
Gosto de gente que "sabe o que quer", 
entende porquê quer 
e "arregaça as mangas" por fazê-lo. 

Os carentes não entendem meu jeito.
Faço um esforço sobre-humano para não feri-los.
Eu forjo uma paciência que de fato não existe em mim.
Enquanto escuto a música monofônica de suas repetidas palavras
Enquanto me faço de paisagem que curte o vento que passa.

Entendo de suas sensibilidades.
E sou igualmente sensível como estas pessoas carentes.
Mas transformei minha sensibilidade em algo lindo pra mim.
É um caminho que tento apontar sempre:
Autonomia é paz interior.
Des-cubram-se!

quarta-feira, 1 de março de 2017

MIRAGEM

Leve, leve
Vida, leve!
Leve os sonhos que me incitas!
Deixe-me dura.
Levedura.
Todos se levam.
Eu sigo dura.
Eu peso.
Mil quilos de lucidez. 

Farseira!
O brilho da vida é como a cerveja:
Tira teus pés do chão
Pra te jogar no abismo.

Tampai de volta esta anestesia.
O pote de sonhos é pura fantasia.
Um gole de fel de realidade
Enquanto aperto o passo que a(tra)vessa a cidade.

Juliana Ponciri, 01/03/2017.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Cotidiana

Terra
Tocar
Cuidar
Pouso
Re-pouso
Acolher
Peito
Pulso
Passo
Junto
Ficar
Estar
Ser
EntardeSer
AnoiteSer
Cafuné
Ternura
Sentimento
Pele
Bem querer
Entrega
Alma
Aderência
Foco
Serenidade
Segurança
Conexão
Sonhos
Corpos
Consciências
Coração
Latências
Riso calmo
Paz.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

"God knows everything."

Estou cercada de escancaradas respostas veladas

Símbolos e fatos significados
Cor-relações no arco-íris de minhas sinapses!

Avante! Diz o passo.
Re-tenha-se, o bom senso.

É preciso olhar de fora pra entender o dentro que vivemos.

Sair de si...
Mas o que é um "si"?
Quantos se's habitam em um si?
A condição é frágil, sensível e sempre humana.

Conectar-se...
Elohim... Tantos e todos nós!

Será que posso ser mais um co(ns)ciência a re-ssigni-ficar?
Que semi-ótica posso ser nesta órbita louca a girar?
Como traduzir a est-ética que vivo?

Zen-ser...
PertenSer...

Teu Graal me basta.



sexta-feira, 28 de outubro de 2016

GIRO

A Terra vai girando sob meus pés

Sobre minha cabeça
Dentro de mim
Dentro de Deus
A Terra
Eu.

Dentro do corpo do mundo

Dentro do corpo de Deus
No ventre de tudo que respira
Centelha ínfima
Pedindo vez.

Onde estão teus olhos que não vê?

Onde estão teus ouvidos que não escutam?
Por que tuas mãos se cegaram para o braile do belo?

E a dança segue frenética e entorpecida...


Me nausea o mundo que muitos escolhem.

Como respeitar a escolha do outro em destruir-se?
Aniquilo-me.

És nada, Juliana, ficai com teus nadas.

Deixai que a verborragia do mundo se entenda.
Teu silêncio não pode fazer revolução.
Sereniza teu coração e recolha-te.

Paz. Brisa. Centelha. Vacuidade.


Transito.

Transitamos.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Não há romantismo em Marte


Vivo num planeta em forma de olho
Mesmo à noite, as pálpebras nunca cerram
E a visão nunca é formada de dentro pra fora
Os círculos de imagem são viciados
Pupila sempre dilatando para os fenômenos de fora
Asteroides e estrelas sempre mais apelativos
Ininterrupta dança química!

Estas explosões e aderências são artificiais?
Sou eu artificial?
Tão efêmeros e inconstantes como tais fenômenos
É a natureza volátil de onde piso...
Como realizar-me Terra em ti , ígneo Marte?

A brasa, a lava, alarga... vazios, queima sonhos...
Do teu vermelho o meu passou longe...
Ser estrela no sistema errado
Montar de Vênus um cavalo alado
E fugir desta espiral!
Faísca de poeira será meu rastro
Via Láctea, tchau tchau! 

_______

Juliana Ponciri, 25-10-2016.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

PARIR-SE

Para onde caminha minha sensibilidade?
Serei eu os sonhos que desisti?
O amor dado agora terá de ser novamente guardado.
O planeta vai girando e eu sobre ele...
Tudo lento e cumprindo seu ritmo, seu destino, seu girar.
O relógio, o passo, a lágrima...
Até amor tem que ser remédio: dosado.
Grandes doses geram efeitos colaterais...
(...)
A medida certa...
Nunca fui boa matemática.
Minhas porções intuitivas,
Minha geometria enlouquecida e desforme...
Eu não me caibo no meu corpo
Meu corpo não cabe neste tempo
Este tempo não cabe nos espaços designados.
Eu: ser plasmado, dilatado, latejante...
Ímã querendo aderência
De sonhos, de alma, de paz...
Jorrando o amor anos contido...
Tem que abarcar a humanidade!
Se deixo escapar só por um furinho designado a alguém...
Sufoca!
Gás que vai intoxicando...
Há amores que não funcionam na dinâmica da proteção
E que pedem que eu usurpe minha natureza de coruja,
Há amores que me pedem águia:
Que eu empurre os filhotes ao despenhadeiro!
Mas vendo a fragilidade e despreparo dos filhotes
Falta coragem...
Sobra cuidado...
E então você espera sabiamente o momento adequado.
Com a pedagogia de um educador que ausculta resultados...
BUM!
Mas eis que surgem situações que te forçam ao desapego
E então você maturece cem anos em um dia
Abruptamente, na agressividade que forja novo ser
Ser de consciência e entendimento
E então a pele descamada do coração sente e sabe:
'Aqui precisará de fortes doses de desapego
Depene sua coruja para que no frio ela saiba
Que este amor pede descuidado.'
Que brutos partos a alma sofre!
Parir uma evolução a que não se está preparada!
E eis que a lágrima foi à semente regá-la
Vulcão erupindo-se
Rasgando tempo e revolucionando escalas
Parindo-se:  desabrochando-se maior de si
Árvore ebulida brotando e irrompendo com copa homérica
Instantânea de susto, vinda da semente da dor
Explodida para fora em vômito desesperado...
Parir-se.
Escorrer-se.
Alastrar-se.
Desastrar-se.
Algumas vidas custam a morte de outras.



Juliana Ponciri, 21/09/2016.